os milagres nossos de cada dia

screenshot_2017-01-13_10-27-07a vida é mágica. e frágil. e difícil. e  surpreendente.

há dois anos minha mãe teve alta, depois de meses de muita dor e sofrimento para todos nós. meses que mudaram tudo na minha vida. mudaram todas as prioridades. mudaram todos os desejos. meses de um amadurecimento que espantou até mesmo minha irmã mais velha, acostumada a ser a mais sensata da família.

731 dias se passaram entre a mensagem de agradecimento acima e o texto de hoje. e cada um deles foi uma batalha para minha mãe, a mulher mais corajosa e forte que existe no meu mundo.

ela disse que queria ter os braços fortes de novo para poder pegar a Biscoitinha no colo. conseguiu. ela disse que ia voltar a andar. entrou caminhando na festa de dois anos da Biscoitinha em junho passado.

leitora voraz, ela lastimou que não estava mais conseguindo ler. mas o cérebro é essa coisa incrível e, em dois anos, os neurônios se reprogramaram e ela voltou a ler. ela faz diariamente os exercícios ensinados pela fisioterapeuta e disse que a próxima ceia de ano novo é ela que vai cozinhar pra mim. eu acredito.

a nefrologista disse que ter perdido só 15% da função renal foi um milagre. a fisioterapeuta disse que ter vencido o encurtamento muscular da perna direita foi um milagre. a oftamologista, olhando a tomografia mostrando todos os danos, também chamou de milagre.

eu nunca duvidei que cada um destes 731 dias são um milagre. a vida inteira, cada dia, é um perfeito milagre. a gente é que esquece de olhar para ela com reverência.

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Jalapão | segundo dia: água e pedra e nerdice

o segundo dia de Tocantins foi de estrada, poeira e água. muita água. o roteiro era todo no município de Ponte Alta, que abriga algumas cachoeira incríveis. saímos umas 9h da pousada para um dia inteiro de 4×4. para o almoço e lanches, o guia levou uma caixa térmica com pão, frios, frutas, sucos e bis.

a primeira parada foi no Talhado do Pau D’Arco. a gente tem uma tendência a duvidar de conversa de guia, mas acredite na do nosso: o talhado é testemunho de uma erupção vulcânica. de quando? não sei, mas há 200 milhões de anos havia atividade vulcânica no Sudeste e sabe-se que tem um vulcão extinto de 1,9 bilhão de anos no Pará, considerado o mais antigo do mundo até agora.

fato é que no Talhado dá pra ver onde as bolhas de ar estouraram, deixando buracos perfeitamente redondos. é um derrame basáltico contínuo, de talvez mais de um quilômetro, recortado por séculos de água e entremeado de cerrado. me lembrou um pouco o Vale da Lua, não em proporção, mas pelo trabalho da água na pedra.

a região está cheia desses derrames basálticos que hoje hospedam cachoeiras incríveis, como a do Soninho, a primeira que vimos neste segundo dia. para mim, a Cachoeira do Soninho foi uma experiência estupenda. quando você vê uma cachoeira como essa, tenta lembrar todas as outras cachoeiras que viu antes, pra achar uma referência. e não acha.

foi um encontro poderoso, eu sentei de frente pra ela e fui tomada por uma Energia sublime, de invocação impossível. uma conexão de todos os sentidos com o presente absoluto, daquelas que você apaga tudo da mente e apenas vê, sente, cheira, ouve, toca o mundo à sua volta. eu teria ficado horas ali sentada, contemplando. mas o guia me interrompeu =/ .

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a segunda cachoeira do dia foi a da Fumaça. metros antes do ponto de observação, você já ouve a água. em seguida, vê uma densa névoa úmida entre a vegetação, indo longe. e então chega a cachoeira. 40 metros de queda num poço forrado com grandes pedaços de rocha que provavelmente a própria água jogou ali nalgum dia de algum milênio. ela é imponente e brutalmente linda. é considerada a mais bonita pelos nativos, e não posso negar sua beleza, mas a experiência sensorial do Soninho marcou demais minha memória.

ficamos pouco ali porque ela fica dentro da Estação Ecológica Serra Geral, uma das categorias mais restritivas de conservação, que não permite a atividade turística que estávamos fazendo lá. mas não tem nenhuma placa informando isso. aliás, não há placas informando nada em praticamente todo o roteiro. nenhuma pra dizer se estávamos em área protegida ou não, o que é grave para uma região que tem um mosaico de unidades de conservação. não adianta os gestores da UC reconhecerem que a visitação é um problema e processarem a Globo. precisam tomar uma atitude. honestamente? eu não acho que o público deva ser privado de contemplar uma beleza natural como essa, que fica do lado de uma rodovia. tanto melhor seria para todos permitir a visitação unicamente para contemplação, com visitação controlada.

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depois disso, fomos tomar banho de rio acima dessa cachoeira, fora da Estação, em um lajeado cheio de peixinhos graciosos que ficamos olhando com snorkel. almoçamos em outro lajeado, o do rio Soninho. o plano era fazer flutuação nele, que tem águas mansas e cristalinas naquele ponto, mas São Pedro não estava concordando muito com o plano e mandou um baita temporal, que tivemos que esperar passar, abrigadas embaixo de uma ponte onde outro grupo fazia um churrasco. turistas defumadas.

o último ponto do dia foi a Pedra Furada. ali minha nerdice ficou fora de controle. cercada de fazendas e plantações de eucalipto, a Pedra Furada é um imenso bloco de arenito, vivo de tanto passarinho. fez eu me arrepender de nunca ter comprado binóculos. a gente fica lá olhando para todas aquelas camadas coloridas de rocha e pensando em quantas eras geológicas foram necessárias depositar uma composição mineral diferente em cada uma daquelas camadas, para depois serem prensadas por água, chuva, pressão atmosférica e sabe-se o que mais.

eu não queria mais sair de lá. queria ficar olhando o outro morro testemunho no horizonte, lá longe, tentando imaginar como foi quando tudo aquilo era uma coisa só. como foi quando a Terra se chacoalhou e fez cair tudo que tinha entre um e outro. cheguei em casa e descobri um nome muito mais legal pra todos aqueles morros que parece que brotam do nada no meio do planalto no Jalapão: inselberg. sim, eu cheguei em casa e fui ler artigos de geomorfologia. falei que minha nerdice tinha ficado descontrolada lá…

Jalapão: uma viagem pelo sertão das águas

eu queria conhecer o Jalapão há muitos anos. aí neste ano uma colega foi com o namorado na Páscoa e voltou cheia de fotos e com o contato de um guia bacana. bastou pra eu e uma amiga comprarmos bilhetes aéreos para o próximo feriado. que, no caso, infelizmente, era só em novembro. fomos. viagem incrível ao sertão brasileiro. sertão de água, vereda, buriti e pobreza. gente simples, comida simples, pousada simples. belezas naturais de embasbacar.

tem muita, muita coisa pra contar da viagem, então vou dividir o relato por dias, com uma postagem para cada dia, com detalhes sobre os atrativos, a infraestrutura e alguns erros que cometemos. no fim de tudo eu conto quanto custou essa viagem a um pedacinhho do Grande Sertão Veredas.

“Por aí, extremando, se chegava até no Jalapão – quem conhece aquilo? – tabuleiro, chapadoso, proporema.”

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primeiro dia

voamos para Palmas na noite de quinta-feira, escolhemos um hotel no Centro. péssima escolha, a gente não sabia que o centro da cidade fica a uns 20km do aeroporto, gastamos uma pica de táxi (R$ 80). além disso, o café da manhã era ruim, tinha poucas opções pelo preço que pagamos na diária: melancia, pão com margarina, café doce. podia pedir ovos mexidos, foi a salvação.

a dica do nosso guia é ficar no Astoria, em Taquaralto, município vizinho, mas em linha reta com o aeroporto, cerca de 7km. e já fica na feição do início do roteiro.

Palmas é uma cidade ainda bastante horizontal, de avenidas muito largas, como se estivesse se preparando para ser muito grande. vimos vários edifícios em construção. já Taquaralto é igual tantas cidadinhas que vi em Mato Grosso, muita terra, pouco asfalto, o comércio tem um aspecto marrom. é o pesadelo dos arquitetos: construções baixas de fachadas retas, quadradas todinhas iguais. embora Tocantins seja um estado do Norte, me senti bem vinda ao Centro Oeste.

a primeira parada foi menos de 2h do hotel: uma trilha bem sinalizada e com boa manutenção em uma propriedade privada. tem duas cachoeiras: Escorrega Macaco e Roncadeira. a primeira é só pra olhar, a segunda é pra banhar. pra entrar no clima. vimos um bando de bugios com filhotes na trilha. isto é em Taquaruçu, 35km de Palmas. dali anda-se uns 200km até Ponte Alta do Tocantins, onde dormimos.

a segunda parada deveria ser a Lagoa do Japonês, em Pindorama. mas o guia falou que ela foi interditada pelos órgãos ambientais. não encontrei notícias sobre a interdição, mas uma do G1 falando do excesso de lixo deixado lá pelos visitantes. segundo nosso guia, o órgão ambiental (ele não soube dizer se foi o Ibama ou a Naturatins) interditou pedindo adequações para a conservação da lagoa, que pelas fotos é um lugar incrível. fica em uma propriedade privada.

quem não tem lagoa caça com corredeira, então fomos à Praia das Palmeiras, também em Pindorama, tirar o pó da estrada. a praia fica no rio Barreiras, após uma corredeirinha mansa. águas cristalinas, peixinhos nadando em torno dos nossos pés, bandos de araras kanindes e muito babaçu. choveu, inclusive, enquanto estávamos lá tomando banho.

encerramos o dia visitando o Morro da Cruz, uma das incontáveis formações rochosas que brotam no meio do planalto, do nada. leva esse nome pois tinha um cemitério no pé do morro. é super bonito, mas não tem muito o que fazer além de contemplar de baixo. não tem rota de subida segura. uma coisa que poderíamos ter feito era encerrar o dia com um pic nic no pé do morro, tomando um suco, comendo uma maçã, talvez sentadas numa esteira e contemplando a paisagem, os pássaros, o entardecer. isso se a chuva deixasse também, claro, o que não teria sido o caso.

a pousada que ficamos era bem boa, tudo muito limpo e organizado, atendimento bacana, café da manhã bem honesto, embora lá também, tudo já com açúcar. odeio café com açúcar. o suco nem tomei. qual é a dificuldade de deixar cada hóspede adoçar seu próprio café eu não sei.

uma coisa curiosa que notei foi que entre Ponte Alta e Pindorama, a TO-130 estava totalmente deserta, tanto na ida e na volta. passamos por um único carro em todo o trajeto. era sexta-feira.

saldo: o primeiro dia foi mesmo estrada e alguma água pra entrar no clima, mas nada muito sensacional. em um roteiro de menos dias, ele pode ser eliminado sem nenhum prejuízo para os olhos. as maravilhas mesmo começaram no dia seguinte.

eu gosto de Natal, mas não deste aí

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esta semana meu namorado disse que não entendeu por que exatamente eu não gosto de natal. a minha casa não tem árvore de natal, as renas iluminadas no jardim do meu condomínio me incomodam. as musiquinhas de natal em todas as lojas em que se entra me irritam. felizmente este ano a crise pegou e a Paulista está livre daquela decoração ridiculamente cara que faz o trânsito ficar ainda pior do que já é.

de fato, eu não gosto de nada disso. mas eu gosto de Natal. é que para mim, nada disso significa Natal. eu gosto do sentido espiritual do Natal: o nascimento de um grande profeta que nos deixou uma mensagem de solidariedade e amor incondicional. o resto todo não tem nenhuma correlação cultural comigo hoje.

a gente montava árvore de na casa da minha mãe. no começo de dezembro a gente pegava a caixa de decoração, revisava o que ainda estava bom, separava o que estava desbotado ou quebrado, comprava o que precisava de novo. geralmente no primeiro sábado do mês a gente limpava a casa e, juntas nós três – eu, a mãe e minha irmã – montávamos a árvore de natal. minha mãe pendurava nela todos os cartões de Natal que a gente recebia de amigos. era um ritual familiar.

minha vó também tinha esse ritual. ela plantava um pinheirinho todos os anos em determinada época para poder colher ele em dezembro e montar a árvore. era importante pra minha mãe e para minha avó. fazia sentido não pela árvore, mas pelo ritual. minha vó já partiu desse plano e não moro com minha mãe há mais de 10 anos. não faz sentido hoje gastar com uma árvore.

se eu tivesse crianças em casa, esse ritual faria sentido, mais uma vez. é uma dimensão celebrativa que reforça laços familiares. isso é importante. a rena no jardim de um condomínio em que não sei o nome de nenhum vizinho é um ritual vazio de sentidos que desperdiça energia elétrica e matéria prima.

eu também não entro mais no ritual dos presentes. não faço questão de ganhar, não faço questão de dar. não faz sentido para mim ter que dar um presente pra alguém só porque é Natal.

considero presente um ato de carinho generoso que faço para pessoas que gosto. este ano roubaram o celular da minha irmã na rua. fiz uma surpresa e mandei um de presente pra ela pelo correio. faz um mês ou dois, estava numa loja de coisas pra casa e vi uma caneca fofa com um pug. uma amiga que amo muito tem dois pugs e a caneca era a cara dela. comprei e dei de presente. poderia ter guardado pro aniversário dela, que foi há uma semana, mas considero que o bom do presente é você ser lembrado sem motivo e não porque há datas em que se costuma dar presentes mais por hábito do que por amor. meu amor pelas pessoas não tem dia certo pra se expressar.

então, Feliz Natal pra quem é cristão.

 

crédito da imagem: http://royaltutorial.com/how-the-grinch-stole-christmas-fan-art/

Como arrumar o menu no Fedora

depois da instalação, o menu do fedora vem super completo, com toooodas as aplicações mostrando. mas algumas (cof cof) pessoas com TOC não gostam de ter no menu aplicações que não são usadas frequentemente. se você tentar clicar com o botão direito do mouse e excluir do menu, como no (r)windows, não rola.

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é simples: clique sobre o menu Aplicações com o botão direito e escolha a aopção Menu de aplicativos.

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se ela não estiver habilitada, como é meu caso, vá em Executar programa… e digite Alacarte (que é a aplicação que faz a edição de menu funcionar).

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voilà, agora é só desmarcar todas a opções que você não quer que apareçam.

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MAS, se nenhuma das duas coisas funcionar, significa que o Alacarte não está instalado. nesse caso vá no terminal, e instale, depois é só repetir as opções acima.

dnf install alacarte -y

Como instalar Chrome e Dropbox no Fedora