algumas coisas me lembram um grande amor que tive, lembrando o poeta aquele. a parte cruel de ter tido um grande amor e ter uma existência solitária é que quando você lembra, não sabe se sente falta, ou saudade, ou é apenas solidão. ou um misto de todas essas coisas.

nunca fui uma pessoa muito fácil de prender, mas aconteceu de ter-me prendido por longos quatro anos por uma alma gêmea que não tinha absolutamente nada em comum comigo. mas nos amávamos tanto e acabou e muitas vezes eu sinto que nunca acaba totalmente.

esses dias em que o coração parecer bater mais impaciente são terríveis. já fiz muitos poemas para esses dias.

Lista de afazeres para um ano novo

Preciso descobrir onde se compram estrelas
para iluminar essa escuridão errante,
já que as minhas foram para gláxias insondáveis.

Preciso descobrir onde se encontram novo riso e alegria,
porque minha existência solitária
não sabe mais onde perdeu os que eu tinha.

Isso para não falar do calor do abraço e
do conforto do afago, que também não há
mais por aqui. Será que ainda se fabricam
em algum lugar?

E preciso também de mapas. Mapas
serão fundamentais nesse ano novo. Preciso
de mapas que me levem a alguns lugares que
antevi em noites de paixão febril.

Mapas que indiquem o caminho para os
paraísos coloridos há tanto tempo experimentados
e já pálidos no espelho da memória.

Não que eu queira paradeiros definitivos,
mas seria algo mágico encontrar uma acolhida
demorada para amainar essa tristeza
delirante.

janeiro/2004

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