vou dar um passo ousado. talvez o mais ousado que já dei.

estou sainda da casa da minha mãe na próxima semana. agora, tudo me parece novo e brilhante e correto, mas sei que não vou me sentir assim o tempo todo. sei que terei dificuldades, noites e solidão, algum choro desmotivado e essas coisas que meu coração turbulento já sente algumas vezes, mas com outras matrizes e outros matizes. agora é o tempo de dar-se conta das coisas.

estou indo dividir um apartamento. levo apenas meus livros, minhas roupas e meus sapatos. o resto tem lá e o que mais eu for precisando vou comprando aos poucos. escolhendo, medindo e saboreando conforme o orçamento permitir.

já encaixotei metade de meus livros e percebi que comprei muitos que ainda pretendo ler. não são muitos. preencheram uma caixa média de papelão e sobraram alguns mais volumosos e compridos para uma outra caixa, onde também vai caber minhas fitas de áudio e vídeo. por que a gente guarda tanta coisa?

tem um livro, em especial, entre todos, que preciso ler. é A Vida em Vermelho, uma das biografias do Che. Li os primeiros capítulos um par de vezes mas sempre tenho que deixar de lado para ler outras coisas. o Castañeda também não é exatamente um autor envolvente…

ganhei esse livro de presente de dia dos namorados em 99. magoei o moço nunca tendo terminado de ler o livro. acho que é uma das mágoas que ele guarda de mim, se sua memória ainda comporta esses detalhes.

também estão lá meus livros dos tempos de militância na Pastoral da Juventude. percebi o quando esse lado militante é forte. tantos livretos tão socialistas e cristãos, assustam até mesmo pelo tanto que essas duas filiações são contraditórias em alguns momentos. tem um muito especial, Da mística e da erótica, fabuloso, que não pude compreender na minha adolescência mas agora essas duas palavras juntas começam a fazer algum sentido.

em uma mala grande também já está uma boa parte das minhas roupas. praticamente todas as de verão. e percebo aqui também algo que passa desapercebido durante os dias: vivo em uma cidade em que preciso de dois guarda-roupas distintos, um para o frio e outro para o calor.

parece tolo pensar nessas coisas, mas acho que o momento é tão fundamental que não consigo pensar e avaliar as coisas que deveriam importar mais.

vejamos o que acontece quando os dias vierem.

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