DIÁRIO DE FÉRIAS.

tá bom, tá bom, DIÁRIO DE FÉRIAS COM DELAY!!

é. eu sei. ando meio desligada, faz hoooras que não escrevo e o pior é que tenho uma mala cheia de novidades e coisas legais pra contar. que passei dez dias numa praia paradisíaca já está registrado, mas os outros quatro dias no Peru.. nossa. quantas coisas registradas na lembrança que precisam ir para o papel de alguma maneira para nunca mais escaparem.

saí de Porto Alegre no dia 2 bem cedinho. 1h30 até São Paulo e na sala de embrque internacional já fui me ambientando com o sotaque castellano. tinha umas 15 pessoas que, pelo que entendi, estavam voltando de férias na Itália. além deles, mais uns 20 chineses que iam fazer turismo no Peru – muito mal educados, parecia que o avião e o aeroporto era somente deles.

4h30 de viagem até Lima e a primeira experiência com fuso horário. meu dia teve 27 horas. a viagem não foi bonita porque o tempo estava fechado na maior parte do percurso, especialmente quanto mais se aproximava do Pacífico. o aeroporto de Lima estava em obras, uma confusão dos diabos, taxistas tenebrosos que te agarram pelo braço tentando te convencer de que o seu táxi é o melhor da cidade, uma loucura. mas meu destino não era Lima, e sim Moyobamba.

estava indo para um congresso de jornalismo ambiental na amazônia peruna, promovido pela Fundação Konrad Adenauer (KAS) e WWF-Peru entre outras entidades locais. férias com cara de trabalho, mas muito especial. muy raro, muy precioso. duas expressões que muito usei lá para falar das coisas maravilhosas que vi.

a primeira, aliás, chama-se Humberto. un tipo muy raro, muy precioso. uma das primeiras pessoas da KAS em quem bati o olho. foi como “o raio” que o Corleone filho teve na Sicília. paixão à primeira vista. eu estava toda atrapalhada, estressada e nervosa e Humberto me olhou com tanta simpatia e carinho, com dois olhos muito escuros como os meus, pele moreníssima, uma voz suave saindo de lábios grossos e bem desenhados… suspirei internamente, porque era muito chato dar essa bandeira toda. e a melhor notícia: passaríamos todos os dias do congresso no mesmo hotel.

mais tarde, mais descansada, banho tomado, energias revigoradas, toca o telefone. Humberto. jantamos, bebemos, dançamos, conversamos muito, rimos muito. eu com meu péssimo castellano tentando me comunicar já meio alta no hi-fi. ele muito doce e divertido afirmando que sim, eu falo muito bem el castellano.

depois de 1,5l de hi-fi e algumas rumbas, de volta ao hotel. eu já muito, mas muito bêbada, quase sem muita noção de que a realidade poderia ser algo mais que chegar ao quarto sem cair e ganho um beijo. um ótimo beijo. num abraço apertado e sensual como as rumbas que dançamos. fui pro quarto, já nem sei mais se tropeçando por estar bêbada ou se por estar nas nuvens. mas não pude guardar o doce daquele beijo. a primeira coisa que fiz quando entrei no banheiro foi vomitar. muito. ah, danada vodka. nem sei bem quanto tomei, foram quatro copos bem generosos perto de uns 500ml cada um, creio.

dia seguinte, ressaca dos diabos. acordei completamente enjoada. tomei café, desceu mais ou menos. encontrei Humberto, meio sem graça pelo porre da noite anterior – o que ele iria pensar, bebi como uma adolescente! tínhamos um longo dia pela frente, ao longo do qual ainda vomitei mais umas duas vezes. ele ria, estava achando divertido que eu estivesse mal de estômago e bem de humor. mas como não estar! com aquele homem maravilhoso na minha cola, cheio de atenção e carinho!

bom, em Moyobamba, província de San Martín, o pessoal do congresso estava divido em dois hotéis. um onde acontecia o evento mesmo e outro próximo. ficamos no do evento, Puerto Mirador. paradisíaco, pra dizer o mínimo. Moyobamba fica numa espécie de vale, na bacia do Alto Mayo, um grande bacia que é o encontro de três rios. o que lhé empresta o nome, o rio Mayo, pode ser visto da murada do hotel, serpenteando montanhas abaixo. estávamos a 2,8 mil metros acima do nível o mar. quente, mas não insuportável como Porto Alegre. e como é verão, chove quase todos os dias lá pelas 17h, o que deixa as noites frescas e agradáveis.

fiquei num quarto sozinha, Humberto estava dividindo o quarto com outro congressista. havia passado o dia perto de mim, praticamente cuidando da minha ressaca com toda a delicadeza. para a janta eu já estava bem, morrendo de fome, porque o café da manhã não tinha durado mais que uns 50 minutos dentro do meu estômago e tudo que eu tinha conseguido comer foram alguns pedaços de fruta.

fomos jantar com todo o povo do congresso em um restaurante da cidade, comida boa, não sei se típica, porque comemos salada – com pedaços de abacate, que descobri que lá combina com qualquer salada – filé de porco, arroz, batata frita e cerveja. sim, eu já estava bem, tomei uns dois copos, bem comedidamente. e suco de carambola, que lá é muito mais doce que aqui, como todas as frutas que comi lá, por sinal.

pouco antes da janta eu já havia dito que lhe devia um pagamento por todos os cuidados atenciosos. fomos para o meu quarto, decididos a resolver a dívida com beijos. acabamos passando todas as noites juntos.

agora não consigo esquecer de todos os momentos tão deliciosos que passamos juntos. Humberto é colombiano, mora no Peru há dois anos, onde faz mestrado. e em fevereiro está sem destino. não sabe se fica no Peru, se vai para o Canadá, se volta para casa. depende de onde terá trabalho. tem 28 anos. e é lindo. absolutamente encantador. é como um encontro de duas almas que se procuravam pela eternidade e, quando finalmente se encontram, não lhes é dado permanecerem próximas.

tenho a sensação de que, depois de mais de dois anos sozinha, com realmente apenas um romance que gostaria de ter apresentado à minha mãe, finalmente meu caminho se cruza com alguém especial o suficiente para que eu desejasse compartilhar mais da minha vida. temos um gosto musical parecido. ele gosta de poesia, de beber, de dançar, de rir despreocupadamente.

mas está longe demais e não há perspectiva de tornarmos a nos ver num médio prazo. a menos que a vida de um de nós mude radicalmente de rumo. não é prudente cultivar coisas que não poderemos ter e que nos farão sofrer. conversamos por e-mail, liguei um vez para ele para ouvir ainda uma vez mais sua voz doce e sensual. mas não podemos fazer mais que seguirmos com nossas vidas e continuarmos a nos conhecer o pouco que dá em conversas que atravessam o continente em pulsos que a tecnologia garante, mas que não bastam para aplacar a saudade e o desejo. fecho os olhos e vejo suas costas nuas, ouço sua risada boa, a boca que me beija com fome, as mãos. as mãos. ¿ que voy hacer em Porto Alegre sin tu mirada?

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tem várias coisas legais pra falar de Lima e do Peru, mas não vai ser hoje. por agora, só me resta a poesia

Do Atlântico ao Pacífico

Uma vez mais estar sob teu olhar
e tocar tua pele morena
Uma vez mais ter o passeio firme das tuas mãos
e dormir com as costas sob tua proteção
Uma vez mais beijar tua boca bonita
e sentir a úmidade da tua língua
Uma vez mais o peso da tua sensualidade
e o som da tua fala tão latina

e isto será suficiente para marcar
minha existência solitária com esse amor
que sequer as mesmas estrelas
pode contemplar

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