este diário já está mais que virado em (quase) mensário. tudo bem. contingências da vida. comecei a escrever para não enferrujar demais, parece que não funcionou muito, mas já que qui estamos…

minha cidade acabou de passar pelo furacão do Fórum Social Mundial. hospedei pessoas, circulei um pouco na rua, falei com uns três ou quatro estrangeiros, mas não consegui fazer nada do que realmente gostaria. porque trabalho. é nessas horas que sinto mais do que nunca que não estou fazendo nada das coisas que sinto que deveria fazer da minha vida.

meu lugar é realmente aqui? com poluição, água com gosto ruim, barulheira, ondas eletromagnéticas e radiações se entrechocando com meu corpo até mesmo quando estou dormindo… e também cinema, teatro, boteco… não sei não.

depois de ver um pedacinho da amazônia. quase nada, uma cidade apenas, e no Peru ainda, fiquei com o coração dividido entre o mato e a metrópole. foi assustador ver coisas como a estação de tratamento de água com um projeto bem legal – pelo menos no discurso – de mudar a forma de captação de água, ajudar a população a preservar os mananciais, distribuir mudas de árvores nativas para estimular o reflorestamento e telhas de amianto nos tanques de decantação. foi assustador ver grama e pasto invadindo a mata, as lavouras, o lixão a céu aberto e as pessoas levando plantinhas aquáticas como lembrança da viagem.

mas também foi estimulante ver o dono do orquidário salvado suas princesas dos troncos das árvores derrubadas na mata, cuidar delas, estudar-lhes os hábitos para tentar reproduzir seus lugares de viver, florescer e se reproduzir com dedicação e amor. gente simples que resolveu – e insiste nisso – viver sem acabar com a floresta. deslizar de canoa pelas águas escuras de uma região de mangue, ouvindo as lendas locais de um homem simples, morador da floresta, acreditando que pode viver melhor entendendo e respeitado a Natureza foi bárbaro. de encher a alma de boniteza.

qual o meu lugar? aqui ou lá? onde eu seria mais útil? tá difícil de responder. mas a cada dia meu coração se enche de tristeza de sentir que aqui eu não passo de uma criatura que estuda e entende alguma coisa, mas não tem nada pra fazer.

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