comprar camisinha, dizia meu ex-namorado, é uma coisa constrangedora. você chega no balcão com o pacotinho entre os dedos e o atendente, inevitavelmente, pensa “vai transar, hein?”. você até imagina o cara da farmácia com aquele sorisinho safado e uma leve piscadela de olho dizendo isso pra você enquanto finge que o pacotinho que enrola trata-se de uma inocente aspirina. eu jamais concordei com ele. comprar um pacote de camisinha na farmácia é como comprar uma inocente aspirina. até ontem.

estava eu e uma amiga vindo para minha casa onde nos vestiríamos para comemorar o aniversário dela. conversa vai, conversa vem, nos lembramos que nenhum das duas estava com suas imprescindíveis reservas de camisinha em dia. uma coisa absolutamente necessária na bolsa de qualquer pessoa. passamos na farmácia, alegres como duas catorritas. um pacotinho para cada uma. no balcão, uma senhora que devia estar perto dos 55 anos (sendo bastante generosa…) passa o leitor de código de barras, dá o preço, pagamos, pergunta se embala separadamente, respondemos afirmativo, nos entrega os embrulinhos, agradecemos, dispara:

– Bom Carnaval pra vocês.

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