tenho uma tristeza eterna cravejada de diamantes na alma. quando estou no escuro ela brilha mais intensamente e não me permite esquecer que é parte de mim. perdi o caminho por onde buscar alento. o que está acontecendo? onde está a outra metade de mim, que se regozija com a vida e sabe amar?

algumas vezes, como agora, sinto que me abandono. minha alma e meu coração voam pra longe, me esquecem no escuro e na solidão. o que eu preciso mudar para não deixar de me pertencer?

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Inicial

O dia não é hora por hora.
É dor por dor,
o tempo não se dobra,
não se gasta,
mar, diz o mar,
sem trégua,
terra, diz a terra,
o homem espera.
E só
seu sino
está ali entre os outros
guardando em seu vazio
um silêncio implacável
que se repartirá
quando levante sua língua de metal
onda após onda.

De tantas coisas que tive,
andando de joelhos pelo mundo,
aqui, despido,
não tenho mais que o duro meio-dia
do mar, e um sino.

Eles me dão sua voz para sofrer
e sua advertência para deter-me.
Isto acontece para todo o mundo,
continua o espaço.

E vive o mar.

Existem os sinos.
(Pablo Neruda)

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