chegou a primeira chuva em Alta Floresta. antes já havia caído uma chuvinha de nada, uma pancadinha. hoje foi chuva de verdade. ótimo sentir o cheiro de terra molhada, o fresco da água caindo, a umidade do ar de volta. a noite agora está fresca e agradável, deliciosa para caminhar sem rumo ou perder a conta das horas deitada numa rede. de volta a minha casa depois de quase uma semana de viagem – contando a estrada, claro, que consome sozinha um dia inteiro – lembrei que faz horas que não escrevo no blogue algo meu que preste.

mas o que acontece é que a vida anda corrida. neste último mês fiz um tanto de coisas interessantes que não deu tempo de refletir sobre, tal o nível de atropelo da vida. talvez o mais interessante e que tem me balançado é a busca do meu eixo. uma nova amiga em Cuiabá me disse esse final de semana que a mulher só encontra seu eixo quando tem filhos, não nescessariamente pári eles, mas quando é responsável por criá-los.

não sei se concordo, mas o fato é que ando em busca do meu eixo aqui. estou com minha identidade dividida entre a floresta e o Sul. quando estive em São Paulo no início de agosto percebi que não pertenço àquele lugar e nem gostaria de pertencer. percebi o quando já conheço mais esse lugar onde estou agora e o quanto as suas coisas fazem sentido para mim. foi bom ter ido porque estava meio piradinha aqui em Alta Floresta, sentindo a pressão da distância, e chegando lá percebi a exata dimensão da minha identidade cambiante. entendi um pouco mais o que é mudar de cidadania para florestania, mesmo ainda estando em uma região lamentavelmente infestada de mentes sulistas e devastadoras.

mas algumas coisas me fazem falta demais. uma doída falta. em Cuiabá, neste final de semana, saí com uma turma para beber, coisa que não faço exatamente assim desde meu último final de semana em Porto Alegre. adoro essa vida de bar em bar. fomos a um com um cara tocando música ao vivo, enchemos o saco, fomos para outro, mais boêmio, encerramos a conta nesse várias caipirinhas depois e fomos a um buteco de jogar sinuca. ê coisa boa. isso me faz falta: opção de noite, barulho, fumaça, olhares perdidos, apertos de mão cheios de intenções contidas. maquiagem e salto alto, gargalhada e burburinho, irresponsabilidade consciente. coisas de uma urbanidade que não tem aqui, por mais que muitos altaflorestenses desejem.

faz falta aqui o flerte, a cantada, as piscadelas de olho e sorrisos que tinha em Porto Alegre e vi de novo em Cuiabá. aqui, simplesmente jamais fui assediada, nem discretamente. eu que amo tanto o flerte despreocupado, sem um par de olhos para provocar. profissionalmente a vida vai melhor impossível, mas (que droga!), não tenho uma boca pra beijar aqui. quando os hormônios se agitam, quase enlouqueço pensando nessa falta de tantas coisas insignificantes. está fresco, noite linda, e ninguém pra ocupar a minha rede….

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  1. Pingback: chove, chuva! | venusemcrise

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