diário de viagem dois: el aburrido encuentro

dois dias para discutir ciência e meio ambiente e o que o jornalista faz com isso na América Latina. pra meu desgosto, demasiado técnico-científico, de jornalismo mesmo muito pouco, extremamente formal e com uma – apenas uma – palestra muito boa. tão boa que valeu ter viajado tanto para ouvi-la. trata-se das pesquisas de um médico colombiano que empregou quase 30 anos da sua vida para descobrir uma vacina para a malária – e conseguiu!

Manuel Patarroyo tem um laboratório de pesquisas em Letícia, no meio da Amazônia, fronteira com Brasil. lá, tem se dedicado a estudar modelos biofísicos e matemáticos para a elaboração de vacinas – o alvo é a malária, mas o método pode servir para qualquer vacina. até hoje, a vacina colombiana atingiu entre 30% e 60% de taxa de imunização, baixa demais para ser estabelecida definitivamente, mas muito, muito promissora, considerando uma doença que se desenvolve tão rapidamente – leva poucos dias desde a picada do mosquito para se desenvolver plenamente e em três semanas pode até matar.

a palestra mostrou duas coisas importantes para mim, que realmente valeram pelo encontro todo – e quase desculpam a que a precedeu, de dois engenheiros ligados à indústria de telefonia móvel jurando de pés juntos que os celulares não provocam dano nenhum à saúde, num congresso patrocinado pela Telefônica.

a primeira lição é que a América Latina – e muito provavelmente a África e a Ásia – possui muitas mentes brilhantes e extremamente dedicadas pesquisando coisas importantes para suas regiões e não preocupadas em gastar fundos de financiamento a pesquisar o sexo dos anjos.

a segunda é que nós, jornalistas latino-americanos, não estamos preparados, desconhecemos e/ou não costumamos dar valor ao conhecimento altamente especializado que está sendo produzido do México à Terra do Fogo. se Patarroyo se chamasse Mr. James e trabalhasse para o MIT, certamente já teria sido capa de todas as revistas de ciência que circulam por esses pagos. mas é só um colombiano enfiado na Amazônia com o sonho de acabar com os surtos de malária que aterrorizam os povos da floresta.

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