diário de viagem quatro: los recuerdos de un cierto colombiano

bueno, a viagem também teve uma certa dose de nostalgia, devido ao idioma. foi no Peru que perdi meu coração para Humberto, jornalista colombiano que estava fazendo mestrado em Lima. e o Ecuador me pareceu a oportunidade perfeita de revê-lo, já que é do lado da Colômbia e a viagem não seria tão cara quanto direto do Brasil. mas não aconteceu. não nos vimos, não fui até ele como tinha planejado desde abril, quando soube do prêmio. e não foi só por não ter dinheiro – coisa que eu daria um jeito – mas por dois motivos bastante fortes: um se chama dor, o outro tem um par de olhos azuis irresistíveis.

creio que jamais vou esquecer os quatro dias que passei com Humberto em dezembro. o beijo de cinema na primeira noite, na porta do hotel, as duas noites em Moyobamba como com a sensação de que dormir juntos era algo que fazíamos a muito tempo, a última noite em seu quarto, já em Lima, alucinada de paixão e tristeza com a despedida. creio que não será possível esquecer seu olhar tão intenso, a voz aveludada, o sorriso sedutor. tampouco sua tranqüilidade em relação à vida e ao futuro absolutamente inserto de jornalista perseguido por suas reportagens políticas e investigativas. quando nos conhecemos, faltavam dois meses para ele defender sua dissertação de mestrado, depois do quê ficaria sem bolsa e sem emprego em Lima, na condição de exilado e sem poder voltar para Colômbia – coisa que fez há poucos meses, com a cara e a coragem e também sem emprego certo. não dá pra esquecer sua força e a vontade de trabalhar pela liberdade em seu país, nem da sua coragem.

quando voltei da viagem, conversávamos com freqüência pela internet, chegamos a trocar telefonemas umas vezes. meu coração se derretia quando ele atendia hola, Nena! Como estás, bonita? ele ficou feliz quando disse que poderia vê-lo na Colômbia, garantiu todas as vezes que nos falamos que queria muito me ver, que tinha certeza de que nos veríamos de novo, que não seria apenas uma vez. mas há semanas parou de falar comigo, vejo-o online e ele não me chama para conversar.

a distância é dolorosa demais. por causa dessa dor desisti de vê-lo.o que aconteceria se chegasse em Bogotá e o reencontro não fosse nada do esperado? e se o encantamento de quando nos conhecemos não permaneceu em seu coração como no meu? mais: o que seria do meu coração já tão solitário se passássemos mais dois ou três dias juntos e eu voltasse para o Brasil com a certeza de que é para ele mesmo que eu gostaria de entregar meu coração infinitamente? como manter a paixão por alguém que mora em outro país, que não tem dinheiro pra me ver, cuja viagem eu não posso pagar? não dá. desisti. sinto que se estivéssemos próximos, poderíamos nos entender muito bem, talvez ter algo duradouro, temos tanto a compartilhar, tantas idéias e ideais. mas eu no Brasil e ele na Colômbia, definitivamente, não. e desconfio que ele não tem conversado comigo pela mesma razão.

e tem o segundo motivo, um motivo de olhos azuis irresistíveis, lábios macios e beijo perfeito. nos encontramos em Cuiabá três semanas antes dessa viagem. só confirmou o tanto de encantador que pareceu quando nos conhecemos no Pará. desde então, trocamos mensagens de celular todos os dias, intensamente. é romântico como eu, companhia agradabilíssima, divertido, leve. tem um brilho no olhar que conheço bem, porque é igual ao meu – de sonhador, de pessoa intensa, que quando se apaixona passa trabalho para se controlar.

sabendo do roteiro do meu vôo para o Ecuador, deu um jeito de me ver rapidamente no aeroporto de Campo Grande, durante os parcos 30 minutos da conexão. cena de cinema! o avião aterrissa e o vejo na pista, do lado dos funcionários de solo da companhia aérea, esperando para entrar no avião, me entregar bombons e me dar um beijo rápido, faminto e cheio de promessas. eu sei que beijos não são promessas, e essa é mais uma história de distâncias e esperas. mas não deu pra não me render. até então, eu estava apenas encantada com a delicadeza e a atenção do moço, agora estou incomodada com a distância e tentando entender o que acontece comigo, que quando conheço alguém que parece que vale a pena, está a quilômetros.

ele é 11 anos mais velho que eu – o que o torna mais encantador e charmoso ainda. mas a distância física e temporal estão me incomodando demais. queria vê-lo outra vez, passar mais tempo junto, conversar. quero saber da vida dele – coisas que não perguntei antes porque não faz parte da minha política saber da vida de quem não tem chance de se relacionar comigo seriamente. por que saber detalhes, se tudo que poderemos ter são encontros? se não vou querer apresentá-lo à minha mãe? se não vou ter a mais mínima possibilidade de encontrar a criatura em um supermercado fazendo compras com a namorada/esposa, coisa assim? então não pergunto nada que possa estragar tudo, curto o que o momento tem pra oferecer e o resto não é problema meu.

depois de um esforço tão grande pra me ver por tão poucos minutos, no entanto, essas coisas parecem querer fazer diferença. queria vê-lo outra vez, de algum jeito, conversar, curtir, mas é só mais uma história de sonhos e distâncias que dificilmente vai passar disso. eu tenho minha vida aqui em Alta Floresta, ele a sua em Campo Grande, eu vivo na estrada, ele vive em missões da força aérea pelos rincões desse país. não tem chance disso ser mais do que uma outra história romântica pra contar. não tenho nem dinheiro e nem tempo para viver de ponte aérea.

mas o diabo é que meu coração anda querendo um romance sossegado pra andar de mãos dadas despreocupadamente na rua aos sábados; acampar de vez em quando; tomar vinho, gastar a lascívia etílica na cama durante horas sem conta e depois comer chocolate meio amargo antes de dormir em concha. começo a pensar em casar e ter filhos em um prazo menor do que pensava um ano atrás… mas essas coisas todas não se encaixam com o que acontece com meu coração.

talvez eu esteja abrindo meu coração pra essas histórias tão impossíveis por absoluta incapacidade de oferecê-lo para alguém que esteja do meu lado, que eu veja todos os dias e que pode me machucar com a absurda facilidade dos amores intensos e efêmeros, ou dos longos e absolutos, cujas lembranças nos ensinam o significado da expressão “pra sempre”. o caso é que, nesse momento, não consigo deixar de fantasiar com esse moço bonito que diz que quer me ver nas férias, em janeiro. ta certo que sei ser paciente

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