poema para as coisas que não mudamos

Vivo numa terra de transição
ou de transe, eterna crise
que não sabe se é Norte ou Sul

Terra onde palmeiras apontam a direção
e são a única sombra duvidosa,
perdidas nos pastos

Aqui, no inverno, as estrelas
escandalizadas, se escondem
de nossa arrogância

É que não temos vergonha alguma
de sufocar a exuberância desconhecida da floresta
com a fumaça de nossas ganâncias

Até mesmo o sol e a lua ruborizam
e apontam nossa imoralidade
com suas faces escarlates

Vivo numa terra onde as pessoas se arrogam
o direito de condenar as castanheiras
à morte por solidão.

E ainda assim há resistência!

À noite, a floresta sussurra assustadora
na tentativa incerta de espantar
borracha, lâmina e aço

As árvores se agarram em seus cipós
mães que estendem os braços gemendo
– não levem meus filhos….

Quando as primeiras águas limpam as brasas
as helicôneas ficam vermelhas outra vez
as maritacas voltam a fazer estripulia no céu

E as garças, que resistem a tudo em seus refúgios insólitos
nos perguntam todas as tardes
– até quando?

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