por que não posso ser como a Jeane, aquela que era um gênio? seria tão mais fácil! sim, porque não há nada pior que fazer uma mudança quando você tem mais que umas caixas de livros e algumas roupas. mudamos de casa neste final de semana, pra uma maior e sem a maldita lavanderia coletiva onde um ser tão misterioso quanto estúpido conseguiu consumir com metade das minhas calcinhas.

tudo começou sábado – e deveria terminar domingo – quando acordei às 8h da manhã, tomei café e fui atrás de caixas de papelão. corremos três mercados da cidade atrás de caixas de papelão. depois, empacotar tudo (tá bem, jogar boa parte das coisas dentro das caixas). nossa, como a gente acumula potes de sorvete e outras bugigangas ao longo de míseros 8 meses! finda a tarefa, cerveja, comida e cama. morta.

domingo, 7h30 da manhã vamos atrás do frete, que não tínhamos contratado no dia anterior na esperança de conseguir uma carona de caminhonete. ainda bem que não conseguimos, porque íamos levar o dia inteiro fazendo o trajeto casa velha-casa nova com as milhares de caixas de papelão abarrotadas. para transportar não faltaram músculos masculinos compadecidos da minha fragilidade feminina (sic) que se encarregaram de todo o peso. ah, se fosse só isso. mas e o resto? planejar, arrumar, limpar, passar… vixi nossa. eu quero a Jeane e sua piscadela mágica!! até minha diariata, tão maravilhosa, resolveu me abandonar esta semana. tomou chá de sumiço.

a casa nova é bacana demais, ampla, arejada, com uma cozinha que poderia ser uma suíte – nem sei como faço pra não dar eco lá dentro mesmo depois de instalar os móveis. aliás, a cozinha é um bom começo. não tínhamos pia, precisamos comprar uma que chegou só hoje de tarde. até lá, lavar precariamente só três pratos, três copos e três talheres foi no tanque. chegada a pia, o sifão não alcança no cano. ouquéi, dá-se um jeito.

agora temos dois banheiros com chuveiro e tudo. mas num o chuveiro elétrico não esquenta, no outro não está ligado. a torneira de uma das pias está torta e é preciso providenciar saboneteiras e aqueles boxes de proteção pra não inundar a peça inteira a cada banho. pra melhorar, tem baratas. muitas baratas. saindo dos bueiros faceiríssimas com a vizinhaça nova. e o dono da casa teve a cara de pau de dizer que tinha dedetizado a casa. humpf!

o banho, alías, foi um espetáculo. ontem deixei pra banhar à noite, mas a droga do chuveiro não quis esquentar a água por nada no mundo – descoberta da segunda feira, já que domingo tomei gelado mesmo, pra espantar o calor. a solução foi um banho de gato, daqueles que você molha e ensaboa uma parte do corpo de cada vez. sim, aqui o país é tropical, mas à noite, na estação chuvosa, a sensação térmica é de cerca de 20ºC, banho gelado não anima. hoje na hora do almoço, aproveitando o calor, fui lavar o cabelo que tinha ficado de fora do banho felino. como tenho muita, mas muita sorte mesmo, a água da caixa acabou com minha cabeleira completamente branca e absurdamente volumosa. o poço está sendo desativado e a prefeitura ainda não nos ligou com a rede pública de abastecimento. sorte que o poço ainda não foi aterrado…

fora esses pequenos detalhes, é preciso instalar os varões das cortinas, os ganchos para as redes, buscar uma estante nova no marceneiro e um guarda-roupas que Édina trouxe do Paraná e está nos aguardando ansioso na garagem da empresa de ônibus. mas não tenho a mínima esperança de que novas surpresas da casa nova apareçam. de todo modo, a sensação é de finalmente ter a minha casa. um espaço para ser e ficar, não mais estar.

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