é melhor morrer de vodka do que morrer de tédio

a correria da vida louca que tenho levado deixou meu blogue – principal meio de comunicação com as pessoas que moram no meu coração mas pra quem nunca escrevo emails – desatualizado. o fato é que só agora tenho tempo de ler as mensagens de perda de um mocinho que nem sei quanto tempo faz que não via, mas que saber que não vou encontrá-lo numa dessas esquinas em que a vida tem me colocado é triste. fiquei sabendo pela Ilza, mestra de todas as horas que teve a delicadeza de me avisar por email na semana passada. eu em meio a uma reunião dessas importantes que, apesar de importantes, eu detesto porque me fazem perceber que meu tempo rende menos quando me concentro mais. e ainda sob a avalanche de uma cyber campanha que não fazia a mínima idéia de que conseguiria colocar no ar – nunca tinha feito e não entendo dessas tecnologias todas. só consegui responder pra Ilza o quanto lamentava e que transmitisse minhas lembranças pras pessoas que conheço em umas três linhas.

pois refresco minha cabeça pra navegar nos blogues que de quando em vez eu leio e acabo achando dezenas deles falando do Gabriel e de repente me deu uma puta saudade de casa, da faculdade e de todas as coisas que deixei em Porto Alegre. da militância, da poesia, dos tragos e até mesmo dos meus cigarros. das conversar insanas no Dacom, do estado de emputecimento com as coisas que poderiam dar certo de um jeito simples se todo mundo quisesse, do movimento estudantil em ondas desconexas entre tri legal e foda-se, todas misturadas e do quanto tudo parecia mais fácil e lógico há poucos anos atrás, naquela bagunça criativa da Fabico.

pois me despertou uma bruta saudade de todas essas coisas que eu sei que curti tudo que podia e agora é outro tempo. estou aqui no Norte, pelejando umas brigas difíceis e algumas vezes desanimadoras, num contexto político e de militância muito diferente do que acontece no Sul – aliás: militância? nem sei como fazer isso aqui. lembro das situações em que convivi com Gabriel – bem poucas é verdade, coisa de talvez um ano de faculdade, eu quase saindo e ele entrando – e aí é que me sinto mais deslocada ainda. cansa ser delicada, polida e cuidadosa. conheci Grabriel no seu segundo semestre de Fabico, numa das poucas turmas brilhantes depois de muita gente mais ou menos que entrou na faculdade achando que o legal é mexer nos equipamentos. era um grupinho de umas 10 criaturinhas muito boas, com fôlego e vontade de pensar, coisa cada vez mais rara na graduação dos volumosos pactos da mediocridade. já faz um par de anos, mas não esqueço dele nem do restante: Carol Freitas, André Crespani, Pedro Mariense, Thomas Selistre, a outra Carol dos cabelos encaracolados, Nanda e mais algumas criaturinhas que me lembro do rosto mas já me fogem os nomes.

lembrar deles todos me lembrou do Fórum Social Mundial, do Cobrecos, do Acampamento da Juventude, da Rádio da Ufrgs, do DCE é Tu e de mais um par de coisas com intenções revolucionárias que me fizeram sentir muito bem com meu lugar no mundo. agora esse lugar mudou tanto e minha vida está tão diferente e mais cheia de responsabilidades que a pontada de saudade de tudo me faz sentir miseravelmente triste nesse momento. são tantas variáveis a serem medidas a cada passo agora, minha cabeça roda milhares de voltas por segundo a todo momento e não me lembro de ter sido assim antes. lembro de sentar no bar da Tia Vilma nas terças-feiras tomando muito mais cervejas do que meu dinheiro podia pagar, lembro da leveza de algumas daquelas noites embriagadas e de cada beijo sem compromisso que beijei naquele tempo. lembro de algumas coisas que ouvi e que até agora me adoçam a alma naqueles dias que eram mais uma libertação e um encontro de mim mesma do que qualquer outra coisa. tu beija como se tivesse todo o tempo do mundo…. e eu tinha. agora não tenho mais.

me sinto num limbo, numa séria transição entre todas essas coisas e uma outra vida totalmente nova. não que esteja ruim, pelo contrário, nunca fui tão feliz. minha carreira está como eu gostaria que fosse quando meus pensamentos se perdiam nas espirais de fumaça do cigarro. mas muito antes do que eu esperava que acontecessem. a velocidade de todas essas coisas é assustadora, às vezes. agora tenho medo de errar como não tinha antes. de estar sendo egoísta com o homem que eu amo. de que tudo se acabe inesperadamente. de não ter para onde voltar. e o pior de todos os medos: não fazer diferença como eu pensei que poderia fazer quando a estrada me tomou.

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