meu coração está dividido entre coisas dificilmente conciliáveis. provavelmente é apenas um dos meus momentos de maluquice, visto que eu sei exatamente qual é meu destino e meu lugar pelos próximos 24 meses, mas isso não torna nada menos intenso.

metade do meu coração pulsa selvagem pela estrada. por todos os lugares que eu quero conhecer, por todas as experiências intensas que me aguardam em algum novo lugar que eu não sei qual será, mas sei que virá. a descoberta tem um sabor viciante. explorar os limites de mim mesma, da minha inteligência, da minha capacidade de adaptação. esta é minha heroína. o que me espera depois daquela curva? como serão as pessoas na próxima cidade? como eu vou me sentir ao contemplar a paisagem? o que vou poder contar do que vi? o que vou aprender dessa vez?

a outra metade se apraz com a perspectiva de uma vida mansa e doméstica do lado do homem que eu amo de modos tão diferentes a cada tempo, sempre surpreendente, sempre irrefreável. viciante também, de um forma mais suave e talvez mais saudável. aqui de longe, a falta que ele me faz quase dói fisicamente algumas vezes. sinto falta da sua temperatura sempre melhor que a minha, da textura de nossa pele em contato. a sensação de bem estar e paz que isso me dá é impossível de colocar em palavras. por mais que busque, não sou capaz de encontrar a palavra certa, com o exato sentido do que esse abraço faz por mim. para quem vive das palavras, é uma busca angustiante.

estou há poucos dias em Porto Alegre, ainda nem bem instalada ainda, mas me sinto estranha. gosto daqui, mas este não é mais meu lugar no mundo. gosto de ter tantos cinemas por perto, da infinidade de opções de lazer e cultura, dos museus, da certeza de que se eu perder algum show bacana no final de semana não precisarei esperar meses até ter alguma outra coisa legal acontecendo. gosto do vento e da luz desses dias de quase outono. gosto da universidade e da perspectiva tão excitante de voltar a estudar. mas não pertenço mais a este lugar.

ontem me flagrei pensando no quanto vou sentir falta de tomar um banho de cachoeira ou de rio, com sol e calor, para recarregar minhas baterias volta e meia. me desacostumei dessa urbanidade barulhenta e tinha me esquecido como meus conterrâneos sabem ser arrogantes quando verbalizam que este é o melhor lugar do mundo e eles o melhor povo que poderia existir.

a qual lugar eu pertenço agora? onde meu espírito inquieto vai encontrar morada? desde que não posso partir meu coração ao meio e jogar metade fora, como encontrar equilíbrio entre meus desejos? estou bem, feliz com o mestrado, feliz por voltar a estudar – especialmente por voltar a estudar aqui. mas quando permito meu pensamento correr selvagem junto com meu coração, me sinto invariavelmente egoísta, volúvel e infantil.

I’m taking time…

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