não-lugar

tem sido difícil escolher qual das minhas identidades mostrar por aqui, de volta à terrinha. primeiro estranhamento: não consigo mais falar tu comercialmente. é sempre, automaticamente, você tem suco natural?, você onde eu faço o cartão de identificação?, você pode segurar o elevador? e por aí vai. tu só sai quando estou relaxada, batendo papo. várias pessoas estão estranhando meu sotaque por aqui – e no Centro Oeste meu sotaque gaúcho é tão facilmente reconhecido, espantoso!

e as perguntas complicadas? as pessoas me perguntam tu é daonde? fácil, eu sou daqui. mas e quando elas perguntam onde tu mora? not easy. eu tenho livros, emprego e ótimo amigos em Cuiabá; um par de chinelos, amigos e um afilhado em Alta Floresta; roupas e um grande amor em Campo Grande, mas nesse momento, especificamente, eu estou morando no Bom Fim. e meus livros, minha bicicleta e minhas roupas ainda não chegaram aqui. estou me sentindo como a tartaruga, que sempre leva a casa nas costas mas dessa vez esqueceu de vesti-la.

e, alguém me explica, por favor, porque diabos as baratas SEMPRE me recepcionam quando eu mudo pra uma casa nova???

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One response to “não-lugar

  1. vivi assim por dois anossó entendi quando liMarc Augé!

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