eu achava que minha melancolia constitutiva havia me deixado quando conheci o Augusto. foram três anos sem sentir nem um pouquinho daquela solidão profunda de que tantas vezes falei nesse blog. três anos de felicidade escandalosa e uma paixão constante, marcadas em tantas fotografias sorridentes e nenhuma poesia. e então veio janeiro com uma avalanche inexplicável de tristeza e solidão. como uma represa estourada, três anos de melancolias reprimidas pelo amor absolutizante que me tomou irromperam de alguma parte de minha mente e até agora eu não sei ao certo o que houve. mas sei que agora estou sã o suficiente para externar o que senti, ou talvez a memória reeditada do que senti.
sei que as pessoas tão queridas que moravam comigo em Cuiabá perceberam que alguma coisa errada estava acontecendo, mas sequer tive coragem de conversar com elas. tenho certeza de que eu não conseguria explicar e, mesmo que tentasse, ninguém entenderia. foi a segunda vez nos últimos anos que me lembro de ter perdido completamente o apetite, comi por consciência. minha represa verteu por noites a fio, e mesmo caminhando sozinha durante o dia no parque muitas vezes foi impossível de conter.
há tanto tempo não me sentia tão miseravelmente só, há tanto tempo eu não sentia uma tristeza tão selvagem. foram exatamente quatro semanas de total desespero, perplexa e aterrorizada. que diabos está acontecendo comigo?! consegui encontrar algumas explicações para uma parte do que me aconteceu: um misto de pressão pela mudança iminente, um pouco de medo de não dar conta de algumas situações novas, insegurança. o que consegui explicar, expliquei para meu amor – de longe a criatura mais severamente afetada por meu terrível humor naqueles dias. tentei explicar que isso foi muito mais sobre mim do que sobre nós. tentei.
passou, mas não sem marcas. é como tomar a consciência de uma caverna dentro de si, que abriga sabe-se lá quanta criaturas bizarras. quando elas aparecerão novamente? como pode uma mente sã fugir ao controle tão inesperadamente? 
minha tempestade particular colocou muitas coisas sob novas perspectivas, até mesmo o amor. por um tempo, cheguei a concluir que a felicidade é um sentimento tão asbolutamente indescritível que nenhuma palavra que eu pudesse pensar me ajudaria a colocar em poesia o que eu sentia por meu aviador. ainda não tenho as palavras certas para o que sinto, mas tenho novas conclusões a respeito do amor e da vida compartilhada. a principal é que são duas coisas diferentes. o que não significa que tenha deixado de querer compartilhar a minha.
entendo melhor os velhos versos “infinito enquanto dure” porque entendo mais claramente agora que é melhor não esperar que tudo dure para sempre, mas deixar a vida andar – algo que eu quase me esqueci como funciona. não amo menos Augusto agora do que em dezembro. não desejo estar com ele menos do que desejava em dezembro. porém, agora compreendo que há coisas dentro de mim que não podem ser compartilhadas, coisas tão afundadas em mim, que não são relacionadas claramente com nada concreto e que não sei como vão se comportar no futuro. assim, amar e compartilhar a vida não são um passo natural depois do outro. em feveriro descobri que nunca vou deixar de amar meu aviador. descobri que eu sempre vou ter uma forma de amá-lo. o resto será resultado e resultado a gente só sabe conforme as coisas caminham.
by the way, eu hoje me sinto um pouco melancólica.

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