Cada alma conta

na última quinta-feira estive em Frutal, Minas Gerais, participando da IV Semana Acadêmica da Comunicação. o convite é resultado dos milagres da internet. de algum modo meu nome entre os resultados do google pareceu adequado aos organizadores, estudantes de comunicação. um contato pelos comentários do blog – que fala tão pouco de meio ambiente, veja só como são as coisas – e acertamos a palestra. queriam que eu falasse da minha experiência como jornalista ambiental.

já falei várias vezes sobre a minha experiência como jornalista dedicada a ambiente, mas é a primeira vez que o convite não parte de pessoas que já me conhecem bastante. algumas pessoas insistem em dizer que sou uma referência de profissional bem sucedida, que conseguiu muito rapidamente viver trabalhando com meio ambiente, logo depois de formada. eu acho uma grande bobagem, mas talvez haja uma pequena chance de ser verdade.

sendo honesta comigo mesmo, me vejo mais como uma conjunção de três fatores: preparação, sorte e ousadia. eu me preparei para fazer o que faço, já desde o início da faculdade. muito estudo e investimento em dúzias de projetos e atividades que não me davam quase nenhum dinheiro, mas me proporcionaram desenvolver múltiplas habilidades. sorte de ter aparecido uma vaga sob medida para meu perfil e uma equipe de seleção que apostou que daria certo importar para a amazônia mato-grossense uma guria de apartamento de Porto Alegre. e ousadia. porque abrir mão de carteira assinada, PPR e peru do Seu Nelson para morar em uma cidade com menos habitantes que meu bairro exige uma certa dose de maluquice. fui atrás de um sonho. não tem nada de referência nisso, o mundo não funciona assim para todo mundo.

enquanto eu ruminava o que deveria falar para a meninada de Frutal, fiquei pensando. puxa, eu sou jovem demais pra isso. recém fiz 30, botei a mão no diploma tem só seis anos. e daí lembrei que quando tinha 20 e poucos anos, meus referenciais eram os jornalistas de 30 e poucos, como o Villar – que ainda me inspira. então deve estar certo, acho que é assim mesmo que funciona.

senti necessidade de valorizar um convite tão bacana e pela primeira vez na vida eu preparei o que iria falar com antecedência. reli referêncais e escrevi. e depois preparei um lindo power point com um resumo de tudo, links e referências, que me fiz o favor de esquecer no pendrive em cima da cama! bem meu tipinho…

foi uma viagem longa para uma hora e pouco de conversa, e espero que realmente tenha valido a pena para o evento, porque tenho dó de tanto dinheiro gasto para só uma hora de trabalho. disseram-me que foi bom, mas jamais cometeriam a indelicadeza de dizer o contrário. o fato é que a platéia foi mais silenciosa do que eu gostaria para uma turma de jovens, supostamente cheios de energia.

ok, sem o power point eu não consegui segurar a língua e falei bem mais do que seria produtivo. talvez eu tenha sido sincera demais e os tenha assustado. talvez eu tenha falado difícil demais e metade não tenha tido paciência para decifrar. eu juro que tentei dar o melhor de mim, mas um auditório é muito mais difícil de envolver que uma sala de aula. 20 pares de olhos que se pode mirar diretamente tem muito mais efeito do que – quantos eram, 80? eu nunca soube estimar pessoas em um evento.

bem, os 10 acessos no link da apresentação publicada aqui no blog dever ser um indicador de que pelo menos esses ficaram com vontade de saber mais. em uma guerra santa, cada alma conta, afinal. e eu nunca escondi que estou aqui para conquistar corações e mentes para o meu lado da força. disse-me a coordenadora do curso que estão planejando inserir a disciplina de jornalismo ambiental entre as obrigatórias do currículo. seguindo assim, em breve teremos mais almas do nosso lado.

Minas no mapa

essa foi a primeira vez que pus os pés em Minas. embora não tenha podido conhecer bem a cidade, pude ver as pastagens mirradas pelos quatro meses de seca, o gado esquálido, os rastros do fogo que castigou todo o Cerrado brasileiro este ano. deu pra sentir o cheiro putrefato do bagaço de cana espalhado por vários quilômetros da estrada, quase na entrada da cidade. e deu pra ver as dúzias de besouros que invadiram a cidade. disseram que isso é novidade por lá, onde crescem as lavouras de cana. lembrei dos enxames de mariposa da soja na época da pulverização de inseticidas nas plantações no Sul – época em que não se pode acender as luzes dentro de casa antes de fechar as janelas.

tenho certeza de que a cidade deve ter suas pequenas doçuras de cidade do interior, aquelas que sempre me encantam, mas não deu pra ver em uma viagem bate-e-volta. também não pude apreciar nenhuma cachaça do lugar, o que foi realmente uma lástima (ainda estou abstêmia).

na volta, me dei conta de uma coisa: você sabe que se prendeu ao Centro-Oeste quando 120km até o aeroporto são um pulinho. brincadeira de criança. viagem mesmo são os 1.400 km até o assentamento Entre Rios, pra onde vou daqui a pouco.

ps.: a tentativa frustrada de gimpar a mim mesma me deixou sem cabelo… mas o que importa é mostrar a bonita camiseta.😉

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s