Roxette e minhas primeiras lições de inglês

eu sou uma pessoa rock’n’roll mas não tenho nenhum motivo para negar meu lado pop. I DO like to enjoy bright june afternoons!

no verão de 91/92, Roxette estava nas paradas de sucesso em todas as rádios e a balada Spending My Time era o que todas as garotas esperavam dançar coladinhas com o mais gatinho das reuniões dançantes. eu me lembro de ter dado alguns dos meus primeiros beijos, aos 12 anos, ao som dessa música, num dos romances de múltiplas recaídas mais doce que tive ao longo dos 13 anos seguintes. Perfect days… It was always nice to spend my time with him. mas tergiverso…

nessa época, os professores de inglês mudavam todos os anos na escola. e todos eles começavam o ano ensinando a conjugação do verbo To Be. eu não teria aprendido muito mais do que isso durante todo o 1º e 2º graus, não fosse minha paixão adolescente pelo lindo sorriso do Per Gessle e pela voz potente da Marie Fredriksson. yeah, I was a REAL fan, I even knew they weren’t married…

naquele mesmo ano, meu pai me deu um VHS com os clipes e uma entrevista da dupla, que eu assisti incansavelmente ao longo dos, sei lá, cinco anos seguintes, waiting for my big love e achando o máximo de descolada ela de pés descalços nas ruínas de um castelo. quando descobri que It must have been love era uma regravação de um hit do primeiro álbum deles, Pearls of Passion, não lançado no Brasil, quis muito tê-lo. mas importar um CD naqueles tempos era fora de cogitação, por mais que repetisse pro meu pai que minha felicidade dependia disso.

um dia, numa reunião dançante na minha casa, sobrou o LP Joyride junto dos nossos. alguém esqueceu e nunca veio buscar. no encarte tinha as letras das músicas. munida de dicionário bilíngue e um caderno eu traduzi TODAS as letras. palavra por palavra. em 93, minha irmã ganhou de 15 anos um aparelho de som 3 em 1 com CD player. comecei a colecionar os CDs e fiz o mesmo com o encarte de Look Sharp e Tourism.

a mania pegou. dicionário na mão e encartes de LPs e CDs eu ia traduzindo as músicas que mais gostava. originais e traduções ficaram guardados nos meus cadernos de poesia. e, acreditem, as traduções ficaram muito boas, dadas as condições. fora as expressões idiomáticas que só há pouco vim entender mais claramente, eram perfeitas. aquilo que não soava muito bom nas traduções literais eu tentava adaptar um pouco. sem wikipedia nem google translator. neat work.

eu ficava horas ouvindo as músicas e tentando acompanhar com as letras, decorando a pronúncia de cada palavra. deitava na cama e repetia os CDs cinquenta vezes, imaginando como seria be running all my life mundo afora. I’ve being always a girl on the moon, e já sonhava com uma vida de viajante. minha mãe tem alergia a Roxette, graças a minha adolescência. e talvez uma parte dos vizinhos daquela época também. eu colocava as caixas de som perto das janelas, porque era o cúmulo do egoísmo guardar algo tão maravilhoso só pra mim.

eu escrevi dúzias de poemas durante toda a adolescência ouvindo Roxette. mesmo quando ninguém mais gostava, eu seguia amando a banda. acompanhei de perto até Crash! Boom! Bang!, adorando todas as músicas. depois meio que perdi a vibe. achei meio brega Baladas en Español – nunca curti versões em espanhol de coisas que eu gosto em ingês. não curti metade de Have a Nice Day, nem cheguei a ouvir direito Room Service, o último álbum de inéditas, em 2001. nessas alturas a vida já estava corrida demais, sem tempo para milk, toast and honey.

poucos anos depois, ainda buscava informações sobre eles de vez em quando, e descobri porque não havia mais músicas novas. Marie teve um tumor no cérebro e eles pararam de gravar. Per fez coisas solo, produziu alguns CDs, fez alguns shows na Europa. mas nada de Roxette. este ano, procurando informações sobre os shows do Ozzy e do Iron, descubro que ela está milagrosamente curada, eles lançarão um novo álbum em fevereiro e vêm ao Brasil em abril, precisamente em Porto Alegre, no dia 12. se eu vou? empreenderei todos os esforços necessários. eles são a trilha sonora de boa parte da minha vida.

durante os preparativos para minha formatura de graduação, em 2004, todos os formandos tinham o mesmo dilema: com que música eu vou? eu nunca tive dúvidas. I was Dressed for Success. e eu nem imaginava o quanto essa seria a música da minha vida…

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2 responses to “Roxette e minhas primeiras lições de inglês

  1. Pingback: Bebendo poesia | venusemcrise

  2. Alexandre Demétrio

    Hehehe do tempo em que a gente era feliz e não sabia!!

    Gostar

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