de tudo um muito

eu tenho tantas coisas pra contar dos últimos três meses. a vida entrou em um looping danado e eu não consegui energia pra escrever de tudo. teve a defesa, tiveram os shows, teve a Matiz Caboclo, teve o Linux Mint, teve o pantanal…. e eu quero contar tudo, estou devendo de contar tudo pra várias pessoas, mas cadê tempo? e agora não posso fazer um bifão imenso, então resolvi contar um pouco cada dia, pra não acabar com a paciência dos meus 21 leitores. ah, tem isso também, a conta aumentou, agora minha mãe tem computador e internet e meu grupo de leitores aumentou em uma pessoa!

Capítulo 1 – A defesa da dissertação

pois é, terminei o mestrado. a defesa foi no dia 21 de março (notícia veeeeelha). o fim de um ciclo que foi muito bom ter vivido, mas ainda bem que terminou. agora é produzir alguns artigos, tentar algumas publicações, marinar a ideia de um doutorado. faltou conseguir dar aulas aqui em Campo Grande, que era o objetivo central da coisa, mas no fim, o resultado do processo foi bem maior que isso. ao pesquisar sobre o que faço, descobri falhas e problemas no meu trabalho. poderia ter resultado melhor que esse? acho difícil.

Lizete, uma das professoras da banca, disse uma das coisas mais preciosas desse dia: o mestrado é um exercício de humildade. a gente faz pra baixar a bola, darmo-nos conta dos nossos problemas e fragilidades. e foi bem assim minha experiência. ter ido a campo três vezes, ter lido todas as coisas que li, ter exercitado a reflexão sobre o lido, visto, ouvido e sentido, e encontrar um senso nisso tudo foi um grande exercício. e fazer um trabalho de comunicação e informação, e não de ecologia, meio ambiente, agronomia ou extensão rural também foi um baita exercício.

exercitar a docência foi o melhor de tudo. fiz dois estágios docentes com minha orientadora, nas disciplinas de Comunicação e Cidadania e Comunicação e Educação Ambiental. incrível como os estudantes se deixavam seduzir pela minha juventude e pelas minhas histórias pitorescas e esqueciam que a coisa mais valiosa naquela sala de aula era minha orientadora, com seus mais de 40 anos de experiência como jornalista, ecologista e professora. como somos tolos quando temos 18 anos. como nos distraímos com as borboletas e deixamos de compreender a imensidão do jardim!

da docência, a melhor coisa foi pensar sobre e exercitar a avaliação. Ilza se preocupa muito com o processo de aprendizagem, valoriza o esforço dos estudantes em aprender, dá chance para refazer um trabalho que ficou ruim, porque o que importa não é a nota, é o exercício de pensar, refletir, analisar e depois escrever. e avaliar dá trabalho. dar nota para participação exige um controle miúdo, dia a dia, sistemático.

gastamos uma tarde para checar todos os critérios que nos propusemos avaliar e dar nota aos estudantes. e demos retorno a eles, conforme prometido em aula, mostrando como tinham sido avaliados em cada um dos critérios propostos. quantos fazem isso? lemos no programa de todas as disciplinas que será atribuída nota à participação em aula, mas, na prática, a maioria coloca no sistema a nota do trabalho final, ou a média dos trabalhos e provas. duvido que metade dos professores se dê ao trabalho de abrir a foto daqueles estudantes que eles não lembram quem é pelo nome, para checar se a nota é justa com o comportamento do sujeito em aula.

senti isso na pele ao ser avaliada em uma das disciplinas do mestrado, em particular, provavelmente porque foi a única em que não tirei A no trabalho final. embora a participação estivesse constando do programa como quesito de avaliação, minha nota final foi o ressonante B do artigo, embora eu tenha participado ativamente das aulas, feito parte das resenhas solicitadas e apresentado um texto além do mandatório nos seminários ao longo do semestre, de forma voluntária porque o texto em questão era legal e me interessava.

nada disso contou na nota. não reclamei porque não faz diferença a nota no boletim. pra mim contam mais os textos que li, as discussões de que participei, o caminho percorrido ao longo do programa. o ponto é, não seria mais honesto dizer no programa que a participação nas aulas é bem vinda mas o que vale é a nota do artigo final?

no entanto, é assim que se faz na academia. faz-se de conta que são usados métodos participativos, freireanos até, e confia-se que ninguém se importará se isso for só um enfeite no papel. e depois não entendemos porque os estudantes não levam nossos programas a sério depois do segundo ou terceiro semestre dos cursos de graduação. nós também não os levamos a sério.

e nem sei se professores universitários precisam ser assim tão dialógicos. são tantas regras, tantos números, tantos Qualis, tanta burocracia, tantas comissões, tantos indicadores de produtividade para dar conta. mas um pouco mais de transparência não faria mal a ninguém. admitir com todas as letras como a máquina funciona faria um bem danado a todos.

de tudo, vou sentir falta da convivência com minha orientadora, do grupo de pesquisa, dos almoços culturais, do cafezinho na Coletânea, das caminhadas na redenção, da comida vegetariana maravilhosa do Surpem e da Casa Oriental, da feira dos produtores orgânicos da José Bonifácio, do Zaffari, e principelmente dos bons companheiros que encontrei em Porto Alegre. foi bom voltar à cidade cujo mapa carrego nos meus pés. se não fosse tão longe eu até consideraria emendar o doutorado por lá, mas só de pensar em passar mais um semestre sequer tendo aula todos os dias lá me dá uma preguiça existencial.

Eu e Ilza, aliviadas após a sabatina!

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