papo mulherzinha: perfume com álcool orgânico pode?

lá nos idos de 2004, quando eu era solteira, faceira e saideira, eu tinha vários perfumes. perfumes pro dia e perfumes pra noite. pra usar no verão e no inverno. adorava sair bem perfumada e perua pra dançar – não sei porquê, na época não tinha lei anti-fumo e era estar 10 minutos no bar pra toda a sedução aromática se perder. enfim. numa quente linda noite de verão daquelas eu não beijei nada, dancei muito, suei todo meu glamour e voltei pra casa com o pescoço coçando, vermelho e cheio de pintinhas ainda mais vermelhas.

achei que era a combinação calor+suor+seja mais lá o que fosse, no dia seguinte ia passar. não passou. e nem no dia depois do dia seguinte. daí corri pra um dermatologista. e descobri que tinha alergia a perfume. ainda tentei contestar dizendo que nunca.. ele nem me deixou terminar “nunca teve antes, ne?” perguntou ele. e explicou que alergia é assim mesmo, a gente desenvolve ela com o tempo de contato com o fator que causa alergia. somente as muito brutais é que se manifestam no primeiro contato com o troço. mas, dada a primeira crise, qualquer outro contato despertaria a reação.

passei a pomadinha e não acreditei naquilo. que mulher acreditaria? dei um mês e experimentei um dos meus perfumes queridos. meia hora depois estava com o pesçoco em chamas. mas como saber se era a todos os perfumes ou a uma composição específica? bom, pra encurtar, dei todos os meus vidros de perfume em questão de 6 meses. e eu tinha de tudo: Avon, Natura, O Boticário, até um restinho de um deliciosíssimo que minha ex-sogra tinha trazido da França.

nos dois anos seguintes comecei a me conformar, ainda fiz alguns testes com as chamas águas de banho, aqueles perfumes mais leves, mais frescos. todos a mesma reação. eu poderia ter seguido usando em outra parte do corpo, já que a alergia é localizada, mas seria apenas o tempo de espalhar a alergia por mais centrímetros quadrados de pele.

uma vez tive uma reação alérgica tremenda nas pernas por um relepelente manipulado de citronela, alguma parte dele tinha a mesma coisa dos perfumes que me dá alergia. no terceiro dia usando o repelente minhas pernas pegaram fogo. de outra feita foi uma daquelas loções de limpeza de poros, aquelas que vc passa com um algodão depois do banho só para ficar escandalizada com a quantidade de terra que ainda está na pele. a colega de quarto no hotel me ofereceu, depois de um dia de vento, poeira e muito, mas muito calor. me fez correr atrás de uma farmácia de plantão às 22h na grande Canarana (MT) para comprar a pomada anti-alérgica. a reação foi quase imediata.

virei fã dos hidratantes, sabonetes e óleos de banho. desodorante? só em creme ou roll-on, por precaução. mas nunca deixei de sentir inveja quando passa uma pessoa perfumada perto de mim. então, alguns meses atrás, fazendo uma matéria sobre sustentabilidade com o pessoal da Natura, a fonte me falou que eles passaram a usar álcool orgânico em toda a linha de perfumes.

fiquei pensando: eles podem ter mexido em mais coisas na formulação dos perfumes, afinal, já se passaram quase 10 anos desde o primeiro incidente. será que a coisa que me dá alergia saiu da fórmula? será que era o álcool? a coisa com a alergia é que não tenho como saber exatamente qual parte do perfume me dá alergia. tudo leva a crer que é o alcool, mas pode ser qualquer outra coisa que tenha em todos os perfumes, e eventualmente em repelentes e loções de limpeza.

peguei uma amostrinha de Ekos Maracujá, pois adoro o cheiro do óleo e do hidratante de maracujá. surprise, surprise! nada de alergia. mas o perfume é muito mais doce que o óleo, enjoativo. eca. vamos testar outros então! Humor, que tal? parece bom. eow! na pele fica um troço sufocante. Águas de Natura, é uma água de banho, mais leve… nops muito floral… vou ter que experimentar a linha toda pra achar um que não me enjoe.

botton line: eu não consigo mais usar perfume. passei tantos anos sem usar que agora o cheiro intenso na pele, tão perto do meu nariz, me dá um troço, um deles me deu até náusea de verdade, tive que tomar banho de novo pra tirar. cogitei experimentar outras marcas, mas acho que vou me contentar em continuar com os hidratantes, óleos e desodorantes.

de todo modo, creio que a alergia deve mesmo ser ao álcool, exceto o orgânico. não sei se faz sentido, mas eu sei que minha alergia estava bem violenta até o mais recente episódio da loção de limpeza. o único jeito de saber seria testar outros perfumes, mas eu realmente não estou na vibe.

e aí, gurias? alguém mais com histórias de alergia a perfume? conseguiram descobrir ao que é?

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