Doar ou reciclar?

esses dias o Sr. Marido saiu de casa com coceira na guaiaca e comprou um fogão, uma máquina de lavar roupas e uma geladeira. as daqui de casa estavam precisando ser trocadas já há uns 8 anos pelas minhas contas. todos mais de 15 anos de uso. a geladeira não dava conta de manter o sorvete congelado, o fogão tava feio e a máquina de lavar roupa era grande demais pra nós dois. mas, fora isso, tudo estava funcionando perfeitamente.

então, o que fazer? vender pra uma loja de móveis usados? não iam dar 10 pila em cada um. tentar devolver ao fabricante? o acordo setorial que me garantiria esse direito ainda não está pronto, como já mostrei em reportagem da Página 22. e, além do mais, apesar de tudo, estavam em bom estado. podiam ser úteis pra alguém ainda.

pois foi com isso em mente que liguei pra um parceiro que mora na periferia pra saber se ele sabia de alguém precisando. daí ele me triangulou com o pessoal dos Vicentinos, lá do Bairro Universitário, que vieram aqui buscar tudo. além do fogão-geladeira-máquina, ainda saíram daqui com um aparelho de videocassete, uma coleção de DVDs do Telecurso, livros usados e um helicóptero de montar de madeira.

foi um destino mais que nobre. os Vicentinos – inclusive os Jovens Vicentinos – eles me contaram, fazem um trabalho social muito bacana na periferia de Campo Grande, lá pelas bandas da Paróquia Santa Rita de Cássia. eles cadastram famílias necessitadas e fazem o que chamam de “atendimento emergencial”. desemprego, incêndio que queimou tudo, dificuldade de comprar o leitinho das crianças este mês, raio que queimou a geladeira e toda sorte de dificuldades pelas quais as famílias pobres passam são o material do trabalho dessas pessoas bonitas. elas também pessoas simples, um pouco menos pobres que as que ajudam.

eles cadastram as famílias, veem qual a necessidade e tentam ajuda-las a encontrar uma solução pros seus problemas. encaminhando para os serviços sociais de assistência, encontrando cursos de atualização profissional gratuitos, ajudando a conseguir outro emprego, fornecendo uma cesta básica este mês, doando uma geladeira usada…

mas tudo na medida da emergência. “A gente não tem aquela coisa da família receber a cesta básica nossa há anos. Não queremo ninguém dependente da ajuda. A gente encaminha, tenta ajudar a pessoa conseguir sair de uma situação difícil“, me explicou seu Ademar entre um copo de aágua gelada e outra no dia em que veio recolher as minhas doações. e completou “E não precisa ser católico. A gente ajuda qualquer um, não tem diferenciação de religião.

fiquei feliz por saber que as coisas terão um destino nobre. expliquei que a máquina de lavar precisa abrir e limpar, que o fogão tá estropiado por fora mas todas as bocas funcionam, que o congelador não é muito bom mas a geladeira é econômica e a borracha está vedando bem, que o videcassete eu não sei se funciona ainda porque faz um milênio que não é usado. e prometi falar do trabalho deles aqui, no blog, e divulgar pras outras pessoas.

pra quem quiser contatar os Vicentinos daqui de Campo Grande e colaborar com o trabalho que eles fazem, basta procurá-los na paróquia Santa Rita de Cássia, ou me pedir em privado o contato do seu Ademar e do seu Antônio, coordenador do grupo. eu tenho o celular de ambos, mas obviamente não vou publicar aqui.

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