ano novo, blá blá blá, mimimi

ano novo, vida nova, blá blá blá. não, meus velhos. não mesmo. ano novo, vida de sempre. nada muda só porque mudou calendário na parede. alguém ainda usa calendário de parede? anyway, como eu diza, nada muda só porque virou o ano. hoje é um dia igualzinho a todos os outros, assim como serão todos os dias sempre, porque são apenas dias, nada mais.

todo esse mimimi de paz para o mundo, resoluções de ano novo, sejamos todos felizes não faz com que nada aconteça. o que move o mundo não é o calendário. o mundo nem precisa de calendário para se mover. o planeta gira pelo sistema solar por outras forças. o calendário é apenas a nossa forma de por alguma regra no pulsar da vida.

vocês podem fazer a lista de resoluções que quiserem, podem prometer o que quiserem, nada vai acontecer se não tiverem vontade ativa, trabalho persistente e merecimento justo. nada muda se a gente não fizer o movimento pela mudança. quem acompanha essa vênus em crise sabe que estou no meio de mais uma. pois sim, e estou fazendo os movimentos necessários para sair dela.

2012 foi uma bosta de ano em que nada deu muito certo por aqui. eu larguei a ong em que trabalhava pra fazer mestrado e conseguir trabalho como professora em Campo Grande, todos vocês sabem dessa história. apostei que com minha formação de alta qualidade e minha experiência profissional variada não seria muito difícil. quem não quer uma professora com experiência acadêmica e de mercado, com um pé ativo em cada um deles, munida com diplomas de uma das melhores universidades desse país? bem, em Campo Grande, ninguém quis.

me tornei PJ, trabalhei como um cão em 2011, viajei pra caralho como vinha fazendo desde 2005, acabei deixando a vida acadêmica de lado, porque não deu pra fazer tudo direito junto, não publiquei um único artigo (e isso custou caro), e cheguei em dezembro esgotada física e mentalmente. tirei um mês de férias, voltei pra casa no Carnaval e resolvi que 2012 tinha que ser menos estressante. tinha que viajar menos, pensar no doutorado, conseguir mais clientes em MS, parar de viajar. foi o que fiz. e custou caro. custou uma puta duma depressão e quase toda a minha carteira de clientes.

o negócio é que Campo Grande é uma linda cidade, agradável, bonita, cheia de atrativos, mas pouco amistosa com os paus rodados como eu. a cidade não tem nem sequer uma expressão como essa, cuiabana, para designar os muitos de fora que chegam aqui. desde que eu caí na estrada em 2005, é a primeira vez que moro num lugar que não me quer bem. nada do que tentei aqui deu certo. nem dar aulas nas particulares, nem cadastrar minha empresa como consultora do Sebrae, nem ser substituta na federal, nem fazer amigos, nem ter uma vida social divertida. a única coisa que Campo Grande tem para mim, depois de dois anos, é meu marido. e as aulas do doutorado, mas isso é circunstancial, só estou estudando aqui porque pareceu conveniente.

a pessoa precisou ir pra terapia pra conseguir ver com clareza que Campo Grande é uma curva na estrada, uma passagem, mais uma estação, e não meu destino final. simbólico isso, porque Campo Grande só nasceu por ser caminho entre a capitania de São Paulo e as minas de Cuiabá. e só virou alguma coisa mais consistente que um punhado de casas quando chegou a ferrovia, uma estação entre Bauru e Corumbá. os campo-grandenses que por ventura lerem este texto vão me odiar, eu sei. mas paciência. não é culpa minha essa ser uma cidade fechada socialmente – e muitos dos próprios nativos admitem isso. em Alta Floresta, Cuiabá e Porto Alegre, se eu pegasse o telefone, em cinco minutos eu tinha companhia pra jantar e tomar alguma coisa numa noite triste qualquer. aqui, esquece.

bueno, ano novo, vida velha, mas não aqui. a estrada me leva para Cuiabá de novo. ainda não sei bem como vai ser isso em detalhes, mas volto a trilhar essa BR-163 entre Cuibá e Campo Grande. entre o lugar onde tenho trabalho e amigos e o lugar onde tenho marido e, agora, aula toda sexta e sábado. pelo menos durante o próximo semestre letivo. e eu sei que Cuiabá, dessa vez, vai ser uma nova parada de uma estrada que segue mais adiante. talvez ainda mais para o Oeste, talvez de volta para o Sul. só Deus sabe.

vamos ver onde isso dá. não foi fácil tomar as “resoluções para 2013”, e foi só coincidência que elas se firmaram junto com a virada do ano. o que eu sei é que 2013 vai ser hardcore. talvez o ano mais harcore desde que eu terminei a faculdade. grana curtíssima, altas despesas com o doutorado, muito trabalho e, como ninguém é de ferro, algum banho de cachoeira na Chapada. mas eu decidi que não vai ser um ano oscilando entre uma depressão miserável e arroubos de otimismo em uma porcaria duma cidade que não quer nada comigo. isso não.

como nessa música, estou invocando São Cristóvão, porque vou precisar de ajuda nessa longa estrada escura a caminho de volta à luz.
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