são quatro meses de preocupação. 18 semanas sem descanso real. 126 dias em que dói saber que minha mãe não está bem. que corre risco. que está frágil. todos os dias dói um pouco. alguns dias dói mais. outros dói muito.

hoje é um dos que dói muito. um em que ela não passou bem. por menor que seja o problema, uma alteração de pressão inesperada, dói o dobro do que doeu da vez anterior.

é como quando a gente bate sem querer sobre um machucado que estava recém sarando. dói a dor pequena da nova batida, mais a dor do machucado que estava sarando e machucou de novo e dói ainda a memória da dor do machucado anterior.

eu sei que ela está se recuperando. eu sei que foi muito grave. eu sei que demora. eu sei que é assim mesmo. eu sei que Deus sabe o que faz.

eu sei. mas dói igual. dói como nada na minha vida jamais doeu desse tanto. dói a criança em mim que só quer minha mãe de volta sentada no sofá fazendo cafuné até eu cochilar. dói saber que a vida é tão frágil. que o dia em que eu não terei mais colo vai chegar. mesmo que não seja agora. tomara Deus que não seja nos próximos anos. mas vai chegar.

esses 126 dias são só um lembrete. um alerta. um recado. a vida é muito frágil e muito preociosa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s