walk unafraid

assisti de novo o filme Livre, aquele da mulher que fez uma trilha de 100 dias para se reencontrar dentro de si. eu vivo me perdendo e me reencontrando dentro de mim mesma. o filme mexeu comigo.

vi a primeira vez em janeiro no cinema. minha mãe tinha tido alta a menos de uma semana e eu estava curtindo um novo romancinho. uma dessas adoráveis surpresas da estrada. suave e doce e na medida certa.

a vida estava ficando boa de novo. eu estava feliz. daquela felicidade titubeante, que a gente não sabe bem se é felicidade mesmo porque ainda carrega a memória da dor absurda que estava sentindo até ontem. o filme mexeu muito comigo.

sim, me deu vontade de fazer uma trilha como aquela. óbvio que deu. não sei se algum dia vou sair pelo mundo a caminhar sozinha durante três meses. talvez.

pois vi o filme de novo, agora em casa, podendo pausar para fixar vários momentos. a primeira frase que Cheryl põe nos livros da trilha é a que mais me toca.

If your nerve deny you, go above your nerve.

eu nunca me achei corajosa. não foi por coragem que mudei de Porto Alegre para Alta Floresta há 10 anos. não foi por coragem que larguei meu trabalho no melhor momento da minha carreira para casar. não foi coragem que me levou a largar cidade, doutorado, casa, gato e me separar. não foi coragem que me fez desistir da seleção para um novo doutorado e mudar para São Paulo.

a coragem me faltou e me falta em muitos momentos. esse verso resume o que é para mim o que as pessoas vêem como coragem nessa última década. sempre que a coragem me faltou, fui além dela.

também gosto da ideia que motiva a caminhada

Wild

viver é bom, mesmo quando também dói. eu tento me colocar no caminho da beleza dessa vida. todas as minhas escolhas até agora talvez tenham esse sentido.

São Paulo é uma cidade brutal e incrível. e bela, a sua maneira. tudo aqui é superlativo. estou aqui há um ano e não conheço nada. sinto que se morar 10, ainda não vou conhecer.

tampouco sinto que devo permanecer aqui muito tempo. quando olho para trás e vejo que esta é a sexta vez que me mudo desde 2005, tenho um certo receio de que essa jornada nunca terá fim.

os ciclos têm se repetido. deixar, chegar, adaptar, construir, gostar, partir de novo. o romancinho suave de janeiro não é mais romance, tampouco suave. está vivendo esse mesmo momento de partir-chegar. a última vez que nos vimos, me fez três vezes a mesma pergunta num período de menos de 12 horas. perguntei de volta por que ele me repetia a questão tantas vezes.

– tentando avaliar o que estou deixando para trás e o que vou encontrar lá.

na hora não pude responder nada de volta. mas a resposta é tão simples quanto assombrosa. não há como saber. só temos uma breve noção do que deixamos depois que partimos. só saberemos o que vamos encontrar no próximo quilômetro da estrada quando chegamos nele.

acho que é por isso que o filme me toca tanto. a vida não é feita de certezas. a vida é feita de presente.

walk unafraid.

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