Yin Yang

viver é bom, mesmo quando também dói.

eu disse isso um ano atrás, quando minha mãe estava em seu primeiro coma após o infarto e eu segurava minha Biscoitinha recém nascidinha, um mês de vida, meiga e deliciosa, no colo.

tanta coisa aconteceu nesses 12 meses.

minha mãe quase morreu e ressucitou três vezes. eu me separei do meu príncipe encantado (e o fim de um conto de fadas é uma dor terrível). mudei de cidade, de novo. amei outros pequenos amores. mudei de vida tão completamente que às vezes quase não sei se sou a mesma pessoa. e ainda sou a mesma vênus, hora em crise, hora sem crise.

escrevo agora, quase 3h da manhã, três taças de vinho e uma noite tensa depois. e vou publicar sem ler, erros de digitação e tudo. foda-se. amanhã eu vejo o que saiu disso.

fato é que eu tinha razão. viver é bom, mesmo quando também dói.

Biscoitinha está cada vez mais linda, fofa e mimosa, a coisa mais gostosa do mundo (e vai ter a titia mais louca da vida). sexta passada eu estava em Porto Alegre e ela teve febre na escola e Nana não podia buscá-la imediatamente. eu podia. busquei e passei uma tarde enchendo minha sobrinha de dengos e mimos. ela dormiu no meu colo, três vezes o tamanho de 12 meses antes. tão deliciosa e mágica quanto 12 meses antes. ser tia é incrível. de alguma forma, ela é parte de mim, também.

sábado minha mãe me mostrou, toda orgulhosa, que já consegue se erguer sozinha da cadeira de rodas. “logo vou andar e voltar a fazer comida”, me disse. e e acredito. não conheço ninguém mais forte e determinada que minha mãe. nasceu de novo três vezes para poder voltar a ser a mesma Celina e poder ver crescer sua tão esperada netinha.

domingo voltei para São Paulo, para minha casa, meu gato e meu namorado. sim, minha casa. eu, que achava que levaria meia vida pra entregar meu coração a alguém de novo, volto para, finalmente, me sentir em casa de novo. amada e amando. escandalosamente feliz. surpreendentemente apaixonada. dessa vez, sem príncipes nem contos de fadas. apenas amor. maduro e incrível.

e, na próxima quarta-feira, novo trabalho. novo desafio. grande. imenso, sedutor como cada novo desafio que a vida me apresentou. volto a trabalhar só com meio ambiente, depois de uma temporada de dois anos no agronegócio.

não, eu não desgostei de trabalhar com agronegócio. faz tempo que sei que não dá pra defender o meio ambiente sem conversar com o campo. aprendi muito nesse dois anos. acho que pude ensinar alguma coisa, também. não é verdade que todo ruralista é escroto – isso eu já tinha aprendido em Mato Grosso. não é verdade que todo ambientalista é xiita. acho consegui mostrar isso a algumas pessoas bem importantes.

mas volto ao meio ambiente. dessa vez no Sudeste, região nova. dessa vez na Mata Atlântica, bioma onde nasci e que menos conheço.

e volto feliz. plena. mãe bem, se recuperando. sobrinha linda, crescendo. amor bonito ao meu lado, tão igual a mim, pela primeira vez na vida. trabalho novo, para testar mais uma vez minhas certezas. sou dessas que não sabem viver na zona de conforto.

depois de um ano tão difícil, um ano incrivelmente maravilhoso.

viver é bom.

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