#KiyiyaVuranInsanlik

parei hoje para ver a história do menino sírio afogado. rodou na minha timeline a semana inteira, mas eu não tive tempo, inspiração, nem coragem de clicar no link. agora de noite fui recuperar a história no The Guardian, queria saber mais do que apenas como o menino foi parar naquela praia.

e chorei. essas são daquelas coisas que partem o coração. concordo com o editorial do Guardian quando diz que a foto tornou algo que todos sabemos bem que está acontecendo, mas lá em algum lugar distante e pouco conhecido, em uma em uma tragédia dolorosa que exige ação imediata.

sim, o sofrimento dos refugiados sírios – que o Brasil recebe desde 2013, por sinal, e meio que deixa ao Deus dará – não é o único nem o maior sofrimento humano no momento. sim, aqui mesmo em São Paulo há tragédias dolorosas vindas da violência e da pobreza que não ganham os trending topics.

mas, para mim, o ponto não é este.

a crise dos refugiados sírios é uma dolorosa tragédia humana. como as guerras civis em andamento em tantos países. como a mutilação genital das mulheres africanas, recentemente proibida na Nigéria mas ainda amplamente praticada em tantos outros países. como a tortura e o massacre dos caiabis durante a abertura da BR-163 (jamais esqueceremos os barris envenenados, me disse um cacique uma vez), e todas as atrocidades cometidas contra as populações indígenas e documentadas no Relatório Figueiredo. como as dezenas de homens e mulheres dormindo na rua pelos quais passo todos os dias descendo a Brigadeiro.

eu não posso salvar o mundo. mas se puder salvar uma vida, qualquer vida, de qualquer forma, basta. seja doando para uma ajuda internacional seja ajudando alguém na rua do lado de casa. basta. sempre me lembro de uma frase do filme A lista de Schindler: quem salva uma vida, salva o mundo inteiro.

eu, humana, tenho direito de chorar com a morte dolorosa e terrível deste menino e sua família. em algum ponto somos todos humanos em genuíno sofrimento. naquela foto, o naufrágio da humanidade amanheceu na praia. mas ainda somos todos humanos.

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