Linux não é só para os fortes, mas para os curiosos

Recentemente cheguei à conclusão de que Linux, de fato, não é para qualquer um. Não, eu não pertenço ao grupo de pessoas que acreditam que Linux é uma coisa complicada que somente programadores são capazes de usar bem. Mas compreendi que é preciso uma qualidade especial para ser um usuário bem sucedido de Linux: curiosidade.

Vamos à história. Há pouco mais de quatro anos eu dividia um desktop com outra pessoa. Depois de usar Ubuntu e Linux Mint Debian Edition, instalei naquela máquina Debian, minha distro preferida naquele momento. Tudo funcionava perfeitamente: pendrives, HDs externos, webcam, impressora. Mudei de cidade e deixei a máquina para trás, com meu Debian e tudo funcionando. Algum tempo depois ela começou a ter problemas e um técnico diagnosticou como problema de HD, que foi trocado.

O usuário que herdou aquela bela máquina – tão lindamente configurada por mim, com a ajuda de amigos da comunidade linux e uma boa dose de fóruns e testes – é um usuário básico de Windows, que nunca fez questão de compreender muito a fundo como os sistemas operacionais funcionam. Consultada sobre o que instalar no computador, eu recomendei Ubuntu, a distro mais plug and play | ok, go que conheço.

Não deu muito certo. Nem todo o pendrive quer ser lido, um HD externo se recusa a abrir seus segredos e, por fim, a impressora não funciona. Minha ajuda foi solicitada, mas eu não sou boa de help desk. Depois de meia dúzia de conversas frustradas, finalmente recomendei a instalação de Windows. Desde modo, qualquer técnico que atenda em casa poderá ajudar o usuário com seus problemas.

Mas fiquei frustrada. Eu tive muita ajuda remota quando comecei a usar Ubuntu em 2008. Minha progressão em direção ao LMDE e, depois, ao Debian, foi totalmente assistida à distância, antes do whastapp existir. Por que não consigo ajudar meu amigo a resolver um problema tão simples como fazer a impressora funcionar?

Bem, eu sou uma jornalista curiosa com tecnologia, não sou profissional de informática. Eu consigo resolver meus problemas sentada na frente da máquina e conversando com ela. Essa é uma das belezas do Linux que me seduziram desde o começo: o SO conversa honestamente com o usuário, deixa saber tudo que está acontecendo, descreve completamente os problemas e as dificuldades. O problema é que, além de perder o medo do terminal, para usar Linux é preciso se interessar por este diálogo.

Eu tenho certeza que com dois googles no erro que o comando de impressão estava retornando e talvez até um Youtube depois, a impressora teria funcionado no Ubuntu do meu amigo. Mas ele não quer ter essa conversa com a máquina. Ele apenas quer ligar o computador, ligar a impressora, clicar no ícone de impressão do boleto no editor de texto e fim de história.

Eu sigo achando que essa nossa falta de diálogo com nossas máquinas vai nos tornar cada dez mais escravos delas. Mas compreendi, finalmente, que Linux é mais do que um sistema operacional livre e colaborativo. É uma porta aberta para uma reflexão sobre a tecnologia que nem todos estão dispostos a abrir.

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