Jalapão: uma viagem pelo sertão das águas

eu queria conhecer o Jalapão há muitos anos. aí neste ano uma colega foi com o namorado na Páscoa e voltou cheia de fotos e com o contato de um guia bacana. bastou pra eu e uma amiga comprarmos bilhetes aéreos para o próximo feriado. que, no caso, infelizmente, era só em novembro. fomos. viagem incrível ao sertão brasileiro. sertão de água, vereda, buriti e pobreza. gente simples, comida simples, pousada simples. belezas naturais de embasbacar.

tem muita, muita coisa pra contar da viagem, então vou dividir o relato por dias, com uma postagem para cada dia, com detalhes sobre os atrativos, a infraestrutura e alguns erros que cometemos. no fim de tudo eu conto quanto custou essa viagem a um pedacinhho do Grande Sertão Veredas.

“Por aí, extremando, se chegava até no Jalapão – quem conhece aquilo? – tabuleiro, chapadoso, proporema.”

2016-11-11-17-16-58

primeiro dia

voamos para Palmas na noite de quinta-feira, escolhemos um hotel no Centro. péssima escolha, a gente não sabia que o centro da cidade fica a uns 20km do aeroporto, gastamos uma pica de táxi (R$ 80). além disso, o café da manhã era ruim, tinha poucas opções pelo preço que pagamos na diária: melancia, pão com margarina, café doce. podia pedir ovos mexidos, foi a salvação.

a dica do nosso guia é ficar no Astoria, em Taquaralto, município vizinho, mas em linha reta com o aeroporto, cerca de 7km. e já fica na feição do início do roteiro.

Palmas é uma cidade ainda bastante horizontal, de avenidas muito largas, como se estivesse se preparando para ser muito grande. vimos vários edifícios em construção. já Taquaralto é igual tantas cidadinhas que vi em Mato Grosso, muita terra, pouco asfalto, o comércio tem um aspecto marrom. é o pesadelo dos arquitetos: construções baixas de fachadas retas, quadradas todinhas iguais. embora Tocantins seja um estado do Norte, me senti bem vinda ao Centro Oeste.

a primeira parada foi menos de 2h do hotel: uma trilha bem sinalizada e com boa manutenção em uma propriedade privada. tem duas cachoeiras: Escorrega Macaco e Roncadeira. a primeira é só pra olhar, a segunda é pra banhar. pra entrar no clima. vimos um bando de bugios com filhotes na trilha. isto é em Taquaruçu, 35km de Palmas. dali anda-se uns 200km até Ponte Alta do Tocantins, onde dormimos.

a segunda parada deveria ser a Lagoa do Japonês, em Pindorama. mas o guia falou que ela foi interditada pelos órgãos ambientais. não encontrei notícias sobre a interdição, mas uma do G1 falando do excesso de lixo deixado lá pelos visitantes. segundo nosso guia, o órgão ambiental (ele não soube dizer se foi o Ibama ou a Naturatins) interditou pedindo adequações para a conservação da lagoa, que pelas fotos é um lugar incrível. fica em uma propriedade privada.

quem não tem lagoa caça com corredeira, então fomos à Praia das Palmeiras, também em Pindorama, tirar o pó da estrada. a praia fica no rio Barreiras, após uma corredeirinha mansa. águas cristalinas, peixinhos nadando em torno dos nossos pés, bandos de araras kanindes e muito babaçu. choveu, inclusive, enquanto estávamos lá tomando banho.

encerramos o dia visitando o Morro da Cruz, uma das incontáveis formações rochosas que brotam no meio do planalto, do nada. leva esse nome pois tinha um cemitério no pé do morro. é super bonito, mas não tem muito o que fazer além de contemplar de baixo. não tem rota de subida segura. uma coisa que poderíamos ter feito era encerrar o dia com um pic nic no pé do morro, tomando um suco, comendo uma maçã, talvez sentadas numa esteira e contemplando a paisagem, os pássaros, o entardecer. isso se a chuva deixasse também, claro, o que não teria sido o caso.

a pousada que ficamos era bem boa, tudo muito limpo e organizado, atendimento bacana, café da manhã bem honesto, embora lá também, tudo já com açúcar. odeio café com açúcar. o suco nem tomei. qual é a dificuldade de deixar cada hóspede adoçar seu próprio café eu não sei.

uma coisa curiosa que notei foi que entre Ponte Alta e Pindorama, a TO-130 estava totalmente deserta, tanto na ida e na volta. passamos por um único carro em todo o trajeto. era sexta-feira.

saldo: o primeiro dia foi mesmo estrada e alguma água pra entrar no clima, mas nada muito sensacional. em um roteiro de menos dias, ele pode ser eliminado sem nenhum prejuízo para os olhos. as maravilhas mesmo começaram no dia seguinte.

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