Pasta senza vino

Screenshot_2018-06-27_17-45-24esses tempos, num post de uma amiga com recomendações de leituras, eu gostei do título desse. na hora não pensei muito sobre o acaso de eu ter tido um colega de faculdade com esse nome, me deixei levar pelo título em italiano, que achei sensacional, e comprei sem nem ler a sinopse. porque sou dessas, eu compro um livro pelo título.

li e achei tão legal. a história é envolvente. amei. aí depois de me apaixonar pelo cozinheiro marpionei, sofrer com ele, amar com ele, cozinhar com ele, eu fui tirar a curiosidade sobre o autor, porque Krause não é nem sobrenome de brasileiro, nem de italiano. e só quem viveu em Porto Alegre poderia ter uma descrição tão boa da cidade. e não é que é meu colega de Fabico mesmo?

nunca fomos próximos. nunca nos falamos desde o final do curso. fiquei tão feliz deste livro ter chegado em mim por caminhos cruzados e de ter me deleitado com a leitura sem ter me dado conta de que era a mesma pessoa com quem cursei as aulas de Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa no começo da faculdade!

o texto todo tem pequenas preciosidades como essa, a descrever um túmulo no cemitério:

“[…] a  grande cripta se destaca na ala dos defuntos ricos, iguaria nobre para larvas requintadas.”

e minha anotação preferida traz um verso de Petrarca, magistralmente colocado no momento em que o herói está no cemitério com o avô e lê o que está escrito na lápide de sua mãe:

– Signor Floriano, o que é isso escrito na parte inferior da lápide?

– O quê? Ah! Está um pouco gasto, talvez precise de restauração… Isto é um aforismo, filho. Encerra o telegrama que anunciou a morte da tua mãe. Estranhamos, já que normalmente esse tipo de correspondência é muito formal e concisa. Diz: “Pouco ama aquele que pode dizer o quanto ama”. Concluímos que ou o oficial do telégrafo quis ser gentil, ou talvez fosse uma frase que Maria apreciava. Talvez um trecho de oração, repassado por alguma boa alma… nunca soubemos, a missiva veio apenas carimbada pelo governo italiano. Ninguém assinava. De qualquer forma são belas palavras. Por que estás sorrindo assim, Antonello?

– Nada, signore. É realmente uma bela frase. De um poeta italiano.

Petrarca. Ah, babbo… seu velho marpione.

 

 

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