Category Archives: acadêmica

quem procura acha

ou não.

ontem bateu um cristo aqui procurando “filosofia da informação fernando ilharco *resenha*”. se o sujeito bater aqui de novo ainda em busca, aviso: resenha não vai adiantar muito, o trem é complicado para caramba. é o segundo autor mais complicado que li no mestrado, só perde pro Durand. pra entender o troço tem que ler umas quatro vezes e se habilitar a pensar fora da sua caixinha, seja ela qual for. #ficadica

Informação basta pro consumidor comprar consciente?

essa foi a pergunta que me motivou a escrever o trabalho que depois se tornou capítulo desse livro aqui ao lado, organizado pelos professores Valdir Morigi, Ilza Girardi e Cristóvão Almeida e lançado pela Editora Sulina esta semana, na Compós 2011.

no artigo Aproximações teóricas entre informação, consumo e cidadania ambiental eu uso os conceitos de informação que o português Fernando Ilharco apresenta no livro Filosofia da Informação, mais conceitos contemporâneos de cidadania e dialogo com as reflexões da Fátima Portilho sobre consumo e cidadania ambiental.

foi uma pequena aventura teórica um pouco fora dos campos onde eu costumeiramente me movimento em termos acadêmicos, quais sejam,  jornalismo e comunicação ambiental. para deixá-los mais curiosos, seguem os primeiros parágrafos do artigo. fora o meu, tem muita coisa legal no livro, que vocês podem ver no índice, aqui nesse pdf.

Introdução

Comunicação, informação e educação são frequentemente apontados como origem e solução para os problemas dos nossos dias. Tornou-se comum afirmar que as pessoas não votam bem e não exercem seus direitos porque não tiveram educação; que as pessoas não têm informação sobre coisas relevantes para suas vidas; que a comunicação é um quarto poder que em lugar de alienar as pessoas deveria libertá-las.

Para a solução de nossos problemas ambientais, as soluções mais amplamente apontadas costumam ser estas também. É preciso mais educação ambiental nas escolas, porque são as crianças que resolverão isso no futuro. As pessoas precisam de mais informação sobre o que está acontecendo com o planeta e o que pode ser feito para resolver esses problemas. A comunicação, mais especificamente a mídia, deveria informar melhor os cidadãos sobre isso. E no que toca os problemas ambientais, nos últimos anos uma nova palavra passou a representar a chave mestra que irá resolver nossos problemas: o consumidor, através de suas escolhas conscientes.

Se há algum grau de verdade em cada uma destas afirmações, também há um alto grau de mistificação e simplificação. Nem a educação formal tem o poder de resolver tudo, nem a informação é tão poderosa e libertadora, tampouco o consumidor é um super herói capaz de resolver a crise ambiental apenas com sua carteira.

O objetivo deste artigo é tecer uma aproximação teórica entre alguns destes elementos, a fim de buscar uma compreensão mais aprofundada dos muitos liames e tramas que tecem este cenário. Buscamos uma rápida olhada sobre a crise ambiental, tentando compreender aspectos de sua gênese e situação atual; em seguida buscamos olhar quem é o novo cidadão que poderá atuar em uma esfera pública que começa a superar os limites territoriais dos Estados-nação. Problematizamos a questão do consumo, buscando compreender quem é o sujeito consumidor e quais suas possibilidades de ação, quais seus limites e chegamos até a informação e comunicação. Neste cenário complexo, de que informação estamos falando? Que papel este elemento possui neste cenário?

Para um problema complexo como a crise ambiental planetária que vivemos, é preciso pensar de forma complexa. Os problemas ambientais interconectam aspectos ecossistêmicos, políticos, econômicos, sociais e culturais, de forma que a saída não pode estar em um dos campos, mas num misto de todos eles. Assim, não é possível olhar apenas para o consumidor, é preciso pensar no sujeito de forma mais profunda, talvez em um novo cidadão, consciente de sua condição planetária.

de tudo um muito

eu tenho tantas coisas pra contar dos últimos três meses. a vida entrou em um looping danado e eu não consegui energia pra escrever de tudo. teve a defesa, tiveram os shows, teve a Matiz Caboclo, teve o Linux Mint, teve o pantanal…. e eu quero contar tudo, estou devendo de contar tudo pra várias pessoas, mas cadê tempo? e agora não posso fazer um bifão imenso, então resolvi contar um pouco cada dia, pra não acabar com a paciência dos meus 21 leitores. ah, tem isso também, a conta aumentou, agora minha mãe tem computador e internet e meu grupo de leitores aumentou em uma pessoa!

Capítulo 1 – A defesa da dissertação

pois é, terminei o mestrado. a defesa foi no dia 21 de março (notícia veeeeelha). o fim de um ciclo que foi muito bom ter vivido, mas ainda bem que terminou. agora é produzir alguns artigos, tentar algumas publicações, marinar a ideia de um doutorado. faltou conseguir dar aulas aqui em Campo Grande, que era o objetivo central da coisa, mas no fim, o resultado do processo foi bem maior que isso. ao pesquisar sobre o que faço, descobri falhas e problemas no meu trabalho. poderia ter resultado melhor que esse? acho difícil.

Lizete, uma das professoras da banca, disse uma das coisas mais preciosas desse dia: o mestrado é um exercício de humildade. a gente faz pra baixar a bola, darmo-nos conta dos nossos problemas e fragilidades. e foi bem assim minha experiência. ter ido a campo três vezes, ter lido todas as coisas que li, ter exercitado a reflexão sobre o lido, visto, ouvido e sentido, e encontrar um senso nisso tudo foi um grande exercício. e fazer um trabalho de comunicação e informação, e não de ecologia, meio ambiente, agronomia ou extensão rural também foi um baita exercício.

exercitar a docência foi o melhor de tudo. fiz dois estágios docentes com minha orientadora, nas disciplinas de Comunicação e Cidadania e Comunicação e Educação Ambiental. incrível como os estudantes se deixavam seduzir pela minha juventude e pelas minhas histórias pitorescas e esqueciam que a coisa mais valiosa naquela sala de aula era minha orientadora, com seus mais de 40 anos de experiência como jornalista, ecologista e professora. como somos tolos quando temos 18 anos. como nos distraímos com as borboletas e deixamos de compreender a imensidão do jardim!

da docência, a melhor coisa foi pensar sobre e exercitar a avaliação. Ilza se preocupa muito com o processo de aprendizagem, valoriza o esforço dos estudantes em aprender, dá chance para refazer um trabalho que ficou ruim, porque o que importa não é a nota, é o exercício de pensar, refletir, analisar e depois escrever. e avaliar dá trabalho. dar nota para participação exige um controle miúdo, dia a dia, sistemático.

gastamos uma tarde para checar todos os critérios que nos propusemos avaliar e dar nota aos estudantes. e demos retorno a eles, conforme prometido em aula, mostrando como tinham sido avaliados em cada um dos critérios propostos. quantos fazem isso? lemos no programa de todas as disciplinas que será atribuída nota à participação em aula, mas, na prática, a maioria coloca no sistema a nota do trabalho final, ou a média dos trabalhos e provas. duvido que metade dos professores se dê ao trabalho de abrir a foto daqueles estudantes que eles não lembram quem é pelo nome, para checar se a nota é justa com o comportamento do sujeito em aula.

senti isso na pele ao ser avaliada em uma das disciplinas do mestrado, em particular, provavelmente porque foi a única em que não tirei A no trabalho final. embora a participação estivesse constando do programa como quesito de avaliação, minha nota final foi o ressonante B do artigo, embora eu tenha participado ativamente das aulas, feito parte das resenhas solicitadas e apresentado um texto além do mandatório nos seminários ao longo do semestre, de forma voluntária porque o texto em questão era legal e me interessava.

nada disso contou na nota. não reclamei porque não faz diferença a nota no boletim. pra mim contam mais os textos que li, as discussões de que participei, o caminho percorrido ao longo do programa. o ponto é, não seria mais honesto dizer no programa que a participação nas aulas é bem vinda mas o que vale é a nota do artigo final?

no entanto, é assim que se faz na academia. faz-se de conta que são usados métodos participativos, freireanos até, e confia-se que ninguém se importará se isso for só um enfeite no papel. e depois não entendemos porque os estudantes não levam nossos programas a sério depois do segundo ou terceiro semestre dos cursos de graduação. nós também não os levamos a sério.

e nem sei se professores universitários precisam ser assim tão dialógicos. são tantas regras, tantos números, tantos Qualis, tanta burocracia, tantas comissões, tantos indicadores de produtividade para dar conta. mas um pouco mais de transparência não faria mal a ninguém. admitir com todas as letras como a máquina funciona faria um bem danado a todos.

de tudo, vou sentir falta da convivência com minha orientadora, do grupo de pesquisa, dos almoços culturais, do cafezinho na Coletânea, das caminhadas na redenção, da comida vegetariana maravilhosa do Surpem e da Casa Oriental, da feira dos produtores orgânicos da José Bonifácio, do Zaffari, e principelmente dos bons companheiros que encontrei em Porto Alegre. foi bom voltar à cidade cujo mapa carrego nos meus pés. se não fosse tão longe eu até consideraria emendar o doutorado por lá, mas só de pensar em passar mais um semestre sequer tendo aula todos os dias lá me dá uma preguiça existencial.

Eu e Ilza, aliviadas após a sabatina!

Dissurtativa

Minha dissertação começa assim. Mas até agora são os únicos dois parágrafos de que eu realmente gosto…

Em 1932 o escritor Aldous Huxley publicou a primeira edição de sua obra mais famosa: Admirável Mundo Novo. No romance futurista, a civilização industrial havia atingido tal nível de desenvolvimento que proporcionara ao mundo uma precisa divisão entre o civilizado e o selvagem.

Dirigido como uma grande linha de montagem, o mundo civilizado havia renunciado a Deus e a todo limite moral, vivendo em uma eterna felicidade química. Fora dessa máquina em perfeito funcionamento, naqueles lugares onde não valia a pena investir dinheiro e tecnologia, restava o mundo selvagem fechado em reservas. Em um encontro decisivo com o dirigente supremo, o Selvagem, nativo de uma destas reservas que fora pinçado para o mundo civilizado, mostra-se horrorizado com a degradação moral e os vícios dos habitantes do mundo novo.

Ele defende que a crença em algum deus habilita os homens à castidade, à resiliência e à renúncia, comportamentos que o dirigente considera inúteis e até mesmo subversivos. O motivo expresso pelo dirigente revela a essência de uma racionalidade que se tornou dominante no mundo moderno: “[…] a civilização industrial só é possível quando não existe renúncia. É necessário desfrutar até os limites máximos impostos pela higiene e pela economia. De outro modo as engrenagens cessam de girar.” (HUXLEY, 1981, p.286).

É assustador que a obra visionária de Aldous Huxley represente o espírito do nosso tempo quase 80 anos depois de ter sido publicada pela primeira vez. Se o diálogo entre Mustafá Mond e o Selvagem transcorresse por estes dias, talvez o Selvagem já não estivesse agarrado apenas à ideia de Deus como instância limitadora de nossas paixões. A própria natureza está a nos exibir fronteiras e limites. A racionalidade moderna caricaturada por Huxley trouxe a humanidade a um cenário paradoxal: o fabuloso avanço científico e tecnológico convive lado a lado com a miséria e a iminência de colapso ambiental. Como chegamos até aqui?

2010, pode fechar a conta!

esse ano foi um misto exasperante de inferno astral e paraíso e não tenho nenhum remorso de admitir que 2009 foi bem melhor. termino esse ano me olhando no espelho e perguntando: o que foi que eu fiz de legal mesmo? foda-se.

definitivamente esse não foi um ano supimpa. mas é isso mesmo. diz a teoria dos setênios que é nessa fase da vida que eu páro de receber presentes do mundo e começo a devolver o que recebi. o mundo foi muito generoso comigo até agora. mesmo nos piores momentos, eu recebi muitos presentes da vida. então talvez esse tenha sido o ano em que comecei a pagar a conta para a qual, felizmente, eu fiz uma boa poupança.

eu gosto da pessoa que eu sou hoje. cavaleiro com as rédeas das emoções nas mãos e aprendendo a controlar melhor esse alazão. guerreira pakuana em desenvolvimento. aprendendo a trocar equilíbrio por harmonia. aprendendo a não ter resposta para tudo. aprendendo a apenas ouvir. aprendendo a deixar passar. aprendendo a sabedoria rock’n’roll daquela música que diz you can’t always get what you want. but you’ll get what you need.

então, que venha 2011. do jeito que vier. sem desejos, sem planos, sem promessas. te espero com ingressos do Iron Maiden e Ozzy na mão, uma dissertação no bolso e um empreendimento arriscado na gaveta. pode vir quente que eu estou fervendo.

Experiência etnográfica: sutilezas e desafios

Eu gosto de comer pão quente, recém-saído do forno, esperando apenas tempo suficiente para não queimar. Ás vezes queima um pouquinho, mas a textura e o perfume do pão quente com manteiga compensam. Pão frio também é gostoso, mas a textura é completamente diferente, não derrete na boca, provoca muito menos saliva. E perde quase todo o perfume.

Este texto é como um pão quente, produzido no meio da minha coleta de informações no assentamento Entre Rios. Talvez me queime a língua, mas o sabor único compensa. Leia mais…