Category Archives: notas de leitura

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A menina que roubava livros

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– É só que ele bateu no chão com muita força.
– Nem me lembre.
Mas Rudy Steiner não pôde resistir a um sorriso. Em anos vindouros,  ele seria um doador de pão,  não um ladrão – mais uma prova de como o ser humano é contraditório.  Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água.

Ainda nem na metade, mas já encantada com trechos simples e certeiros como essse.

Estado de Sítio

estadodesitioOs bons governos são aqueles em que coisa alguma acontece. E é vontade do Governador que nada se passe, em seu governo, a fim de que permaneça tão bom como sempre tem sido. Fica, pois, afirmado, aos habitantes de Cádiz que, no dia de hoje, nada acontece que valha a pena, cause alarde ou desordem. Eis por que cada cidadão, a partir desta sexta-feira, deverá considerar mentira o aparecimento de qualquer cometa no horizonte da cidade.

Eu tenho um pouco de dificuldade de ler teatro, é interessante, mas meio cansativo. Estado de Sítio, no entanto, é um que gostaria de ver em um palco, porque a história é fantástica e os diálogos são incrivelmente atuais. Ainda não terminei de ler, não sei o que acontece no fim, mas a história da chegada da Peste na pacata Cádiz é fantástica. Eu gostei de O Estrangeiro também, esse não em forma de teatro. Daquelas histórias que você termina de ler e pensa ‘como assim?’, e que te deixa pensando dias e dias.

The Great Gatsby

“Most of those reporters were a nightmare – grotesque, circumstancial, eager, and untrue.”

“So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past.”

“There are only the pursued, the pursuing, the busy and the tired.”

Ainda tenho sentimentos dúbios em relação a este livro, acho que ainda estou chocada sobre como a história se desenrola da forma mais inesperada. Agora quero ver o filme. Os antigos e este que está vai estrear em maio. Não havia visto a lista de atores nem os trailers antes de ler o livro, não queria ser influenciada. Mas concordo com as escolhas de Leonardo Di Caprio para viver Gatsby e Tobey Maguire para Nick Carraway. Nos trailers, a narração de Maguire está ótima, acho que ele acertou bem o tom de deslumbre, desconforto e desconfiança de Carraway.

Atticus told me to delete the adjectives and I’d have the facts.”

Essa é a minha preferida de todas, mas o livro inteiro é fabuloso.

Foi o primeiro livro adulto que li em inglês. Demorou, não foi fácil, mas valeu a pena. Depois vi o filme, e preciso dizer que discordo absolutamente do nome em português (o mesmo para livro e filme): O Sol é Para Todos. Eu tinha esse livro em português em casa e nunca tinha lido porque nunca gostei do nome. Eu escolho muitos livros pelo nome e pela capa, e fazia isso ainda mais quando tinha 14, 15 anos.

Uma curiosidade para os apaixonados por livros: a autora deste aqui é uma das personagens que aparece no filme Capote, em que o Philip Seymour Hoffman faz um Truman Capote que é tão absurdamente irritante, um espetáculo de atuação.

E, para os bons observadores, a citação abaixo tem tudo a ver com este blog.

You never really understand a person until you consider things from his point of view… Until you climb inside of his skin and walk around in it.

“It’s easy to look at people and make quick judgments about them, their present and their past, but you’d be amazed at the pain and tears a single smile hides. What a person shows to the world is only one tiny facet of the iceberg hidden from sight. And more often then not, it’s lined with cracks and scars that go all the way to the foundation of their soul.”

Os quatro trechos que fizeram valer a pela ler On The Road até o fim…

Assim é a noite, é isso que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão.

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Qual é a sua estrada, homem? – a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada… Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância.

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Essas pessoas eram indubitavelmente índias e não tinham absolutamente nada a ver com os tais Pedros e Panchos da tola tradição civilizada norte-americana. Tinham as maçãs do rosto salientes, olhos oblíquos, gestos suaves; não eram bobos, não eram palhaços; eram grandes e graves indígenas, a fonte básica da humanidade, os pais dela. As ondas são chinesas, mas a terra é coisa dos índios. Tão essencial como as rochas no deserto, são os índios no deserto da “história”. E eles sabiam disso, enquanto passávamos, nós, americanos ostensivamente presunçosos com os bolsos cheios de dinheiro numa excursão ruidosa por suas terras, eles sabiam quem era o pai e quem era o filho desta primitiva vida terrestre.

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Todas as mãos estendiam-se à nossa passagem. Eles haviam descido de lugares ainda mais altos, das montanhas lá do fundo, para estender as mãos para algo que – pensavam – a civilização poderia lhes oferecer, e jamais imaginavam a tristeza e a profunda desilusão que ela continha.