Category Archives: pós-balzaquianas

ano novo, blá blá blá, mimimi

ano novo, vida nova, blá blá blá. não, meus velhos. não mesmo. ano novo, vida de sempre. nada muda só porque mudou calendário na parede. alguém ainda usa calendário de parede? anyway, como eu diza, nada muda só porque virou o ano. hoje é um dia igualzinho a todos os outros, assim como serão todos os dias sempre, porque são apenas dias, nada mais.

todo esse mimimi de paz para o mundo, resoluções de ano novo, sejamos todos felizes não faz com que nada aconteça. o que move o mundo não é o calendário. o mundo nem precisa de calendário para se mover. o planeta gira pelo sistema solar por outras forças. o calendário é apenas a nossa forma de por alguma regra no pulsar da vida.

vocês podem fazer a lista de resoluções que quiserem, podem prometer o que quiserem, nada vai acontecer se não tiverem vontade ativa, trabalho persistente e merecimento justo. nada muda se a gente não fizer o movimento pela mudança. quem acompanha essa vênus em crise sabe que estou no meio de mais uma. pois sim, e estou fazendo os movimentos necessários para sair dela.

2012 foi uma bosta de ano em que nada deu muito certo por aqui. eu larguei a ong em que trabalhava pra fazer mestrado e conseguir trabalho como professora em Campo Grande, todos vocês sabem dessa história. apostei que com minha formação de alta qualidade e minha experiência profissional variada não seria muito difícil. quem não quer uma professora com experiência acadêmica e de mercado, com um pé ativo em cada um deles, munida com diplomas de uma das melhores universidades desse país? bem, em Campo Grande, ninguém quis.

me tornei PJ, trabalhei como um cão em 2011, viajei pra caralho como vinha fazendo desde 2005, acabei deixando a vida acadêmica de lado, porque não deu pra fazer tudo direito junto, não publiquei um único artigo (e isso custou caro), e cheguei em dezembro esgotada física e mentalmente. tirei um mês de férias, voltei pra casa no Carnaval e resolvi que 2012 tinha que ser menos estressante. tinha que viajar menos, pensar no doutorado, conseguir mais clientes em MS, parar de viajar. foi o que fiz. e custou caro. custou uma puta duma depressão e quase toda a minha carteira de clientes.

o negócio é que Campo Grande é uma linda cidade, agradável, bonita, cheia de atrativos, mas pouco amistosa com os paus rodados como eu. a cidade não tem nem sequer uma expressão como essa, cuiabana, para designar os muitos de fora que chegam aqui. desde que eu caí na estrada em 2005, é a primeira vez que moro num lugar que não me quer bem. nada do que tentei aqui deu certo. nem dar aulas nas particulares, nem cadastrar minha empresa como consultora do Sebrae, nem ser substituta na federal, nem fazer amigos, nem ter uma vida social divertida. a única coisa que Campo Grande tem para mim, depois de dois anos, é meu marido. e as aulas do doutorado, mas isso é circunstancial, só estou estudando aqui porque pareceu conveniente.

a pessoa precisou ir pra terapia pra conseguir ver com clareza que Campo Grande é uma curva na estrada, uma passagem, mais uma estação, e não meu destino final. simbólico isso, porque Campo Grande só nasceu por ser caminho entre a capitania de São Paulo e as minas de Cuiabá. e só virou alguma coisa mais consistente que um punhado de casas quando chegou a ferrovia, uma estação entre Bauru e Corumbá. os campo-grandenses que por ventura lerem este texto vão me odiar, eu sei. mas paciência. não é culpa minha essa ser uma cidade fechada socialmente – e muitos dos próprios nativos admitem isso. em Alta Floresta, Cuiabá e Porto Alegre, se eu pegasse o telefone, em cinco minutos eu tinha companhia pra jantar e tomar alguma coisa numa noite triste qualquer. aqui, esquece.

bueno, ano novo, vida velha, mas não aqui. a estrada me leva para Cuiabá de novo. ainda não sei bem como vai ser isso em detalhes, mas volto a trilhar essa BR-163 entre Cuibá e Campo Grande. entre o lugar onde tenho trabalho e amigos e o lugar onde tenho marido e, agora, aula toda sexta e sábado. pelo menos durante o próximo semestre letivo. e eu sei que Cuiabá, dessa vez, vai ser uma nova parada de uma estrada que segue mais adiante. talvez ainda mais para o Oeste, talvez de volta para o Sul. só Deus sabe.

vamos ver onde isso dá. não foi fácil tomar as “resoluções para 2013”, e foi só coincidência que elas se firmaram junto com a virada do ano. o que eu sei é que 2013 vai ser hardcore. talvez o ano mais harcore desde que eu terminei a faculdade. grana curtíssima, altas despesas com o doutorado, muito trabalho e, como ninguém é de ferro, algum banho de cachoeira na Chapada. mas eu decidi que não vai ser um ano oscilando entre uma depressão miserável e arroubos de otimismo em uma porcaria duma cidade que não quer nada comigo. isso não.

como nessa música, estou invocando São Cristóvão, porque vou precisar de ajuda nessa longa estrada escura a caminho de volta à luz.
IMG_3171

papo mulherzinha: perfume com álcool orgânico pode?

lá nos idos de 2004, quando eu era solteira, faceira e saideira, eu tinha vários perfumes. perfumes pro dia e perfumes pra noite. pra usar no verão e no inverno. adorava sair bem perfumada e perua pra dançar – não sei porquê, na época não tinha lei anti-fumo e era estar 10 minutos no bar pra toda a sedução aromática se perder. enfim. numa quente linda noite de verão daquelas eu não beijei nada, dancei muito, suei todo meu glamour e voltei pra casa com o pescoço coçando, vermelho e cheio de pintinhas ainda mais vermelhas.

achei que era a combinação calor+suor+seja mais lá o que fosse, no dia seguinte ia passar. não passou. e nem no dia depois do dia seguinte. daí corri pra um dermatologista. e descobri que tinha alergia a perfume. ainda tentei contestar dizendo que nunca.. ele nem me deixou terminar “nunca teve antes, ne?” perguntou ele. e explicou que alergia é assim mesmo, a gente desenvolve ela com o tempo de contato com o fator que causa alergia. somente as muito brutais é que se manifestam no primeiro contato com o troço. mas, dada a primeira crise, qualquer outro contato despertaria a reação.

passei a pomadinha e não acreditei naquilo. que mulher acreditaria? dei um mês e experimentei um dos meus perfumes queridos. meia hora depois estava com o pesçoco em chamas. mas como saber se era a todos os perfumes ou a uma composição específica? bom, pra encurtar, dei todos os meus vidros de perfume em questão de 6 meses. e eu tinha de tudo: Avon, Natura, O Boticário, até um restinho de um deliciosíssimo que minha ex-sogra tinha trazido da França.

nos dois anos seguintes comecei a me conformar, ainda fiz alguns testes com as chamas águas de banho, aqueles perfumes mais leves, mais frescos. todos a mesma reação. eu poderia ter seguido usando em outra parte do corpo, já que a alergia é localizada, mas seria apenas o tempo de espalhar a alergia por mais centrímetros quadrados de pele.

uma vez tive uma reação alérgica tremenda nas pernas por um relepelente manipulado de citronela, alguma parte dele tinha a mesma coisa dos perfumes que me dá alergia. no terceiro dia usando o repelente minhas pernas pegaram fogo. de outra feita foi uma daquelas loções de limpeza de poros, aquelas que vc passa com um algodão depois do banho só para ficar escandalizada com a quantidade de terra que ainda está na pele. a colega de quarto no hotel me ofereceu, depois de um dia de vento, poeira e muito, mas muito calor. me fez correr atrás de uma farmácia de plantão às 22h na grande Canarana (MT) para comprar a pomada anti-alérgica. a reação foi quase imediata.

virei fã dos hidratantes, sabonetes e óleos de banho. desodorante? só em creme ou roll-on, por precaução. mas nunca deixei de sentir inveja quando passa uma pessoa perfumada perto de mim. então, alguns meses atrás, fazendo uma matéria sobre sustentabilidade com o pessoal da Natura, a fonte me falou que eles passaram a usar álcool orgânico em toda a linha de perfumes.

fiquei pensando: eles podem ter mexido em mais coisas na formulação dos perfumes, afinal, já se passaram quase 10 anos desde o primeiro incidente. será que a coisa que me dá alergia saiu da fórmula? será que era o álcool? a coisa com a alergia é que não tenho como saber exatamente qual parte do perfume me dá alergia. tudo leva a crer que é o alcool, mas pode ser qualquer outra coisa que tenha em todos os perfumes, e eventualmente em repelentes e loções de limpeza.

peguei uma amostrinha de Ekos Maracujá, pois adoro o cheiro do óleo e do hidratante de maracujá. surprise, surprise! nada de alergia. mas o perfume é muito mais doce que o óleo, enjoativo. eca. vamos testar outros então! Humor, que tal? parece bom. eow! na pele fica um troço sufocante. Águas de Natura, é uma água de banho, mais leve… nops muito floral… vou ter que experimentar a linha toda pra achar um que não me enjoe.

botton line: eu não consigo mais usar perfume. passei tantos anos sem usar que agora o cheiro intenso na pele, tão perto do meu nariz, me dá um troço, um deles me deu até náusea de verdade, tive que tomar banho de novo pra tirar. cogitei experimentar outras marcas, mas acho que vou me contentar em continuar com os hidratantes, óleos e desodorantes.

de todo modo, creio que a alergia deve mesmo ser ao álcool, exceto o orgânico. não sei se faz sentido, mas eu sei que minha alergia estava bem violenta até o mais recente episódio da loção de limpeza. o único jeito de saber seria testar outros perfumes, mas eu realmente não estou na vibe.

e aí, gurias? alguém mais com histórias de alergia a perfume? conseguiram descobrir ao que é?

um ano e meio sem pílula

como meus 20 leitores fiéis (ou deveria dizer amigos e parentes?) sabem, eu parei de tomar pílula no ano passado. desde então tenho descoberto muitas coisas sobre como os hormônios afetam meu cotidiano. como já bem documentei o início da experiência aqui e aqui, vou falar só sobre o momento atual.

este ano eu achei que tinha engravidado. um atraso monstruoso de 51 dias me convenceu de que alguma camisinha tinha vazado. fiz o exame da farmácia, deu negativo. fiz um de sangue pra ter certeza, deu negativo também. diabos, se não é neném é o que então?

foi a pergunta que eu e minha gineco tentamos responder com uma longa bateria de exames. a coisa estava mais ou menos equilibrada em um ciclo médio de 35 dias e em maio descambou pra irregularidade total. eu estava preocupada não com a possibilidade de gravidez, mas de ter algo errado comigo e, pior cenário possível, ter que voltar à pípula.

pois bem. a resposta para o atraso é três anos sem férias, muita estrada, uma dissertação defendida, uma empresa recém aberta, contas pra pagar, e a lista pode ficar longa e entediante. não há absolutamente nada errado com meu corpo.

fizemos tudo: exames de prolactina, tireóide, hemograma completo, ecografias, tudo que era possível para determinar se tinha alguma coisa fora do lugar com meu aparelho reprodutor ou meus hormônios. nunca estive tão saudável, de acordo com meu sangue.

depois de todos esses exames minha gineco me disse uma frase mágica: Tantas mulheres tomam pílula pra não menstruar nunca, você tem sorte de passar mais de 30 dias sem isso naturalmente, fique contente.

é isso. eu sou uma feliz portadora de um lindo ciclo menstrual irreguar, com sangramentos em intervalos de 30 a 40 dias. e mais: sem dor de cabeça, sem cólicas, sem sangramento intenso, sem inferno astral de uma semana antes do período e com libido de sobra pra fazer um maridão feliz o mês todo.

eu não teria descoberto nada disso se não tivesse tido paciência, perseverança e disciplina. por meses eu anotei tudo que eu sentia dia a dia, em busca da conexão entre meu corpo, meu humor e meus hormônios. várias vezes pensei em voltar a tomar pílula porque tem horas que é irritante não saber quando a porcaria vai descer e porque eu sinto falta de transar sem camisinha com meu lindo.

mas resisti. a camisinha não é pra sempre, tão logo eu não precise mais dos meus óvulos férteis posso interromper a passagem perigosa. e no fim de cada ciclo, os efeitos colaterais da pílula não valem a informação sobre o dia certo do sangramento.

sim, os hormônios mexem muito com a gente, mas somente conhecendo intimanemente o corpo que a Dona Celina e o Seu Jarcedi me deram foi possível aprender a conviver com essas mudanças.

descobri que um ou dois dias antes do sangramento meu humor fica sob lentes de aumento. seja o que for que eu sinta, é potencializado. felicidade, euforia, ansiedade, angústia, tristeza. em que pese ser complicado calcular precisamente quando eu vou menstruar, consigo saber se aquele dia que acordei com os cornos virados é prenúncio do período ou resultado de outras preocupações. e fez uma baita diferença na forma de lidar com o humor só de saber isso.

quando o ciclo fica muito esticado, como mais de 40 dias, eu fico com o corpo mais sensível, seios doloridos, uma cólica leve, a pele mais oleosa. sem pílula também pude dispensar o uso intensivo do KY, minha lubrificação natural dá conta do recado na maior parte do tempo – outro efeito colateral positivo.

nós, mulheres, nos acostumamos a pôr a culpa de quase tudo na menstruação e na TPM, mesmo tomando pílula. mas de todas as que eu converso sobre isso, raras são as que realmente sabem separar hormônios de dia-a-dia.

a maioria não faz a menor ideia de como seu corpo se comporta sem pílula, crê que seus hormônios são gerrilheiros perigosos os quais aprendeu a temer como a própria Morte e acha que parar a pílula vai detonar uma guerra civil.

os homens também temem os hormônios de suas mulheres. indefesos e desarmados, oscilam entre a revolta e a resignação. alguns, que realmente amam suas mulheres de forma serena e compreensiva, se angustiam por não saber o que fazer pra ajudar.

a ambos eu tenho apenas uma dica: anotem tudo, dia a dia. com autorização ou sem. com pílula ou sem. melhor sem, mas não sou má o suficiente pra dizer a uma criatura que morre de cólicas e sangra rios todos os meses que a vida dela vai ser melhor sem pílula. talvez seja, mas não posso garantir. cada corpo é diferente.

anotar as informações básicas como o primeiro dia do sangramento, a duração, o dia de início da pílula para as que tomam e o que acontece entre uma ponta e outra vai ajudar a entender melhor o que é ciclo e o que é mania.

e pras corajosas, eu recomendo parar. mas não só parar, parar e anotar sistematicamente TUDO por pelo menos um ano. na imagem abaixo, a prova da minha boa sorte, 13 períodos para 16 meses.

a vida é uma bruxa sádica

a vida é uma bruxa sádica e eu sou uma daquelas BDSM doidas que fica toda faceira ao ver a vadia agitando seu chicote. nesse exato momento estou pendurada por três cordas igualmente apertadas chamadas Memória, Saudade e Sonho, sem saber qual delas eu quero que aperte mais.

um litro de heineken e Nick Cave são minhas companhias nessa noite vazia de quinta-feira porque como boa pisciana eu gosto de autocomiseração e nada melhor para isso do que álcool e música depressiva. o primeiro afroxa a corrente que segura meus dragões, a segunda me lembra um dos melhores romances da minha vida, lá nos idos de 2002 – um doce vislumbre de quanto a vida pode ser prazerosa, mas cobra seu preço por cada arrepio.

não esperem nada coerente nesse post, pois já enchi o segundo copo e considero seriamente abrir a segunda garrafa quando esta terminar.

o cara de 2002 gosta de Nick Cave, foi ele que me apresentou, junto com vinho e sexo maravilhoso. poderia ter sido meu marido se nós dois não tivéssemos nos conhecido naquele momento das nossas vidas. eu recém saída de um longo namoro com um lindo garoto depressivo que estava me arrastando para o buraco. ele no meio da faculdade de medicina, cheio de suas coisas particulares complicadas.

nós dois somos tão iguais que talvez seja por isso que não dava certo. almas livres. succubus e inccubus para dizer o mínimo. dois cretinos charmosos sedutores (mas sempre muito honestos). enfim, teria sido lindo. por um tempo foi o genro dos sonhos da minha mãe, mas não era pra ser. a vida é uma vadia má, não é mesmo? teria me poupado três anos de solidão excruciante, e a ele um tanto mais.

mas, engraçado, agora eu realmente não queria que fosse diferente. muito melhor ter ele como meu melhor amigo. é a única pessoa do mundo para quem eu posso contar absolutamente qualquer coisa que se passe pela minha cabeça ou pela minha vida com a certeza de que nada vai mudar entre nós. a bruxa sádica me fez sofrer horrores quando não deu certo, mas, veja só, ela estava absolutamente certa ao decidir que era melhor sermos BFF do que um casal. não dá pra não gostar desse chicote dela.

bom, ele me apresentou Nick Cave e aqui estou ouvindo o cara porque o homem que tem meu coração em suas mãos está longe de casa e eu me sinto miseravalmente só. eu nem tenho coragem de olhar pras nossas fotos juntos porque aquele par de olhos azuis sorridentes olhando pra câmera são demais pra mim. me fazem pensar em todo tipo de música piegas e clichês e me fazem querer chorar.

falando assim parece que não nos vemos há seis meses. são só 15 dias. mas eu simplesmente não sei o que fazer nessa casa quando ele não está. eu sinto muito menos quando nossas viagens coincidem porque daí não tenho todos os cantos da casa pra me lembrar das vezes que fizemos amor fora da cama, nem tem o cheiro dele no guarda-roupa, nem a mesa pra me lembrar das nossas refeições juntos quando eu me sinto estupidamente feliz olhando esse homem lindo se saciando com a comida que eu preparei.

ninguém me faz sorrir como meu aviador e é um inferno sentir a saudade que sinto quando estou sozinha em casa. a ponto de, algumas vezes, me fazer odiar a ideia de ter mudado pra mesma casa que ele. nessa porra de ninho vazio a saudade é mais excruciante do que quando tínhamos 800km entre nossos travesseiros. mas – veja se tem como resistir à bruxa sádica – melhor sofrer de saudade do que não saber o que é ter um amor desse tamanho dentro da gente.

às vezes ela bate mais forte do que o combinado e me lembra de que ele pode me deixar a qualquer momento naqueles H1H que ele põe pra voar. a vida seguiria, como sempre segue, mas eu perderia um pedaço tão bom de mim no processo que não sei se seria a mesma Gisele. meu aviador desperta o melhor de mim.

e isso me faz pensar que preciso fazer um filho com esse homem. ter um pedaço dele na minha vida pra sempre, com grandes chances de estar do meu lado até o fim dos meus dias. mórbido? desafio qualquer pessoa que saiba o que é amor a me dizer que NUNCA pensou nisso. a diferença entre eu e boa parte das outras pessoas que amam apaixonadamente é que o meu risco é mais palpável.

e é por isso que eu não perco nenhuma oportunidade de dizer pro meu amor o quanto ele é lindo, gostoso, maravilhoso. e também é por isso que tento nos dar os melhores orgasmos possíveis sempre porque nunca se sabe quando a vida vai decidir que aquele foi o último. às vezes não funciona, mas eu sempre tento. case com um herói se quiser sentir na pele o que é isso. bombeiro, paramédico, policial, resgateiro, vale qualquer uma dessas alternativas.

e tem a porra do sonho. eu sonho com tantas coisas que embalada por esse quarto copo de cerveja eu nem sei se quero ir lá. pra começar eu sonho com muita vidas diferentes. algumas vezes até sonho com uma vida em que não estivesse casada, mas novamente livre para voar para onde me desse na telha (o que, como já deu pra perceber, não é um sonho que vá muito longe). tenho a plena certeza de que uma vida não basta, como já disse aqui, e às vezes é uma merda que tenha que escolher uma só. então resta sonhar.

e ultimamente tenho sonhado com algo completamente diferente do rumo que segui nos últimos 10 anos. e vou dizer uma coisa, comecei a trazer esse sonho pro mundo real. dá um puta frio na espinha, mas, veja só, passei da idade em que precisava desesperadamente provar pra mim mesma do que era capaz.

escolher um sonho só é uma merda. dói deixar os outros de lado, mas é isso aí. no fim, você tem que escolher com qual dor vai ter mais prazer.

notas sobre o casamento

esses dias estive conversando com uma amiga sobre casamento e relacionamentos a longo prazo. o tema era o mesmo de sempre, o que acontece quando a paixão acaba. sim, porque paixão acaba. ela até vem visitar de tempos em tempos, mas aquelas reações bioquímicas que deixam você com a sensação de ter tomado um troço muito doido desaparecem.

e o foda é que é justamente essa sensação de que estamos intoxicados pelo outro que nos leva a começar um relacionamento. e não conheço ninguém que depois de algumas horas de bate papo não tenha admitido que sente um pouco de falta disso.

ok, casamento é mais que sexo e hormônios alucinados. casamento é companheirismo, é querer compartilhar a vida, os sonhos, os desejos. e no meu caso, casamento é ter um ninho seguro para onde retornar depois de lutar por minha porção diária de comida. mas o limite entre a segurança e a acomodação é absurdamente tênue. e é fato que casamento não tem muito a ver com aquele tal do amor romântico. casamento hoje em dia felizmente é feito na base do amor e da escolha, mas nunca deixou de ser um contrato social como bem se deu conta a Elizabeth Gilbert quando a imigração proibiu seu amor de ir namorá-la em casa.

casamento é feito na base da razão. você pesa racionalmente as coisas. pesa suas decisões à luz das muitas variáveis que têm a sua frente. essa proposta de emprego em outra cidade é ótima, mas meu marido vai conseguir trabalho lá também? ou então como vão ficar as coisas se a gente resolver ter filhos agora? ou ainda, embora as pessoas não gostem de admitir, esse novo colega me dando mole é gostoso demais, mas se meu marido descobrir vai acabar tudo e não quero acabar tudo só por uma transa com um cara gostoso. não tem nada de romântico nisso, é puro gerenciamento de risco. o que, creio eu, seja o que torna uma relação saudável.

mas até onde aceitar que a falta de frio na espinha faz parte do contrato é saudável para a relação? como saber se você está na relação porque ainda ama a pessoa ou porque racionalmente sacou que é melhor ficar juntos? separar dá um puta trabalho, gasta uma energia danada. alguém sempre vai sair mais ferido e ninguém quer ver uma pessoa com quem partilhou 10 ou 20 anos da vida sendo despedaçada. e depois tem o apartamento, o carro, as crianças, o seguro, o financiamento, a televisão nova, a reforma que recém terminamos de pagar, como vamos dividir os livros, as passagens que compramos pra passar o carnaval na Bahia…

é difícil saber em que ponto o amor se transmuta em hábito. mas pensando nisso hoje eu acho que saquei um ótimo indicador. o casamento está assentado no amor – e não no hábito – quando racionalmente você consegue imaginar sua vida sem a outra pessoa mas só de pensar nisso seu coração acelera de tristeza antecipada e grita angustiado pra você: nããããããooooo! uma vida sem meu amor vai ser um troço insuportável!

embora o casamento seja admistrado racionalmente, é na emoção e no sentimento que ele se sustenta. não cheirar o cangote do meu marido antes de dormir me dá uma vontade irracional de chorar todas as noites quando ele está viajando. pode não ser paixão intoxicante, mas definitivamente não é mero hábito.

playboys e barbiegirls

eu acompanho dois blogs que tratam de sexo e correlatos. um porque uma das autoras é uma graça de menina e outro porque é muito mais seguro ver dicas do que agrada os homens onde homens de verdade participam do que em revistas femininas doidas. depois de um certo tempo de casamento a pessoa precisa de fontes externas de ideias.

em geral sou uma expectadora silenciosa, mas essa semana rolou um post sobre uma pesquisa o que as mulheres gostam na cama e não consegui não opinar. o que aliás, não fez nenhuma diferença. a pesquisa é bem interessante, mas um ponto despertou polêmica. mostrava quantas mulheres dão no primeiro encontro. a polêmica não foi se mulher que dá no primeiro encontro é vadia ou não. mas um bando de caras dizendo que as mulheres são vão pra cama depois de se certificar de quanta grana os caras têm.

sério, gente? é claro que tem mulher interesseira, assim como tem homem interesseiro, mas isso não é regra, é? se é, eu devo ser de outro planeta porque esse item nunca esteve no meu checklist. a única coisa que me importava saber se um cara tinha dentro da carteira era camisinha, porque nem sempre eu tinha uma na minha.

fiquei pensando com que tipo de garota esses caras têm andado. e cheguei a uma conclusão: tem mulher que acha grana um quesito eliminatório, tem cara que acha beleza-padrão um quesito indispensável, e esses iguais se atraem. só pode ser isso. um bando de playboy querendo pegar uma barbiegirl pra dar pinta de garanhão.

e se é esse o caso, então, playboys, vcs estão pagando barato pelo sexo mais ou menos que estão comprando. porque se o primeiro item do checklist que avaliza uma transa é dinheiro e beleza, o sexo não pode ser dos melhores.