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Cantareira – Núcleo Engordador

São Paulo tem água e floresta. e dá pra chegar nelas de ônibus, tranquilamente. uma visita ao Parque Estadual da Cantareira é obrigatória para todo mundo que mora aqui. passamos um sábado totalmente relax e encantador no Núcleo Engordador. já na chegada somos recebidos pela Marcela Bandini, coordenadora do Núcleo, em uma sede super gracinha. o centro de visitantes, construído em madeira, dá uma sensação de casa de campo, bucólico, agradável aos olhos e aos sentidos.

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o parque protege hoje a região que proveu o primeiro sistema de abastecimento de água da cidade. a primeira parada da Trilha da Cachoeira é justamente na Casa da Bomba. inagurada em 1903, expõe os dois sistemas de bombeamento, inicialmente a carvão e depois a óleo. é estupidificante pensar São Paulo queimou combustíveis fósseis pra levar água para a cidade durante meio século – o sistema foi desativado em 1949, depois de uma explosão. os dois motores, um igual aos das locomotivas e outro de navio, são impressionantes. a gente fica lá imaginando como isso funcionava, o calor, as pessoas, a revolução industrial levando água para a cidade.

aí a gente entra na trilha, que é auto guiada. não damos nem 10 passos e a cidade desaparece. estamos do lado da rodovia Fernão Dias e não ouvimos uma buzina, um ronco de motor sequer. é silêncio e passarinho. a mata invade nossos sentidos com cheiros, sons. o ar muda completamente, é úmido, fresco, tão bom de respirar que a gente até estranha.
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a trilha, circular, tem 3km no total e passa por três quedas d’água: Tombo, Engordador e Véu. é uma trilha bem sinalizada e segura, de nível fácil para médio. tem umas pequenas subidinhas e uns trechos que podem ficar escorregadios depois de uma chuva, mas não requer muito preparo físico. nós fizemos ela em quase três horas, mas não pela extensão ou dificuldade. fomos bem devagar, contemplando a paisagem, parando para respirar e ouvir, alternando uma boa conversa com períodos de silêncio contemplativo.

na cachoeira do Engordador nós paramos para curtir o sol, enquanto um grupo pequeno fazia fotos de uma linda gravidinha dentro da água, pouco mais adiante. não entramos na água porque estava muito gelada, mas é balneável e permitido entrar. paramos mais adiante, em um gramado perto dos antigos encanamentos do sistema de abastecimento, para um pique nique.

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na cachoeira do Véu também é permitido banho, mas quando chegamos nessa já tinha uma família grande lá se divertindo e não entramos também. de volta, descansamos um pouco no centro de visitantes e fizemos a Trilha do Macuco, pequena, de 700m, que dá a volta nos dutos que levavam água para a cidade.

o núcleo ainda tem parque para crianças e área de pique nique. Marcela nos contou que no verão, nos finais de semana de sol, o parque enche, lindamente, de famílias, crianças e turistas.

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o que: Núcleo Engordador – Parque Estadual da Cantareira

onde: São Paulo – capital (22km do Centro)

melhor época: qualquer uma, mas fazer a trilha das cachoeiras com chuva pode ser perigoso
quanto custa: R$ 13,00 por pessoa no parque; gastamos mais R$ 40 de uber na ida, partindo da Estação Tucuruvi (porque o google errou a entrada do parque) e voltamos de ônibus até a Estação Santa Cruz. não tem desculpa pra não ir.

como fazer: trilhas autoguiadas, mas pode-se agendar um roteiro guiado no parque
para informações: http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-da-cantareira/

Caminhos do Mar

quando a capitania de São Paulo crescia e se enchia de dinheiros, descer para o litoral era um sacrifício. a natureza, essa danada, inventou de por uma baita serra entre o planalto e o litoral e atrapalhou tudo. aí o governador-geral da Capitania, Bernardo José Maria de Lorena, cansado dessa palhaçada, resolveu modernizar e construir uma estrada pavimentada. a primeira do Brasil.

dos 50km da calçada do Lorena sobrou pouco, mas esse pouco dá uma sensação incrível de cruzar mais de dois séculos depois. você desce um pequeno trecho de pedras lisas e escorregadias no meio da mata atlântica e pensa: caráleo, a galera passava aqui cheia de mulas, escravos, mercadorias e toda sorte de parafernália.

dizem que Dom Pedro subiu por ela pra proclamar a Independência às margens do riacho do Ipiranga, aquele que logo em seguida foi emporcalhado e canalizado pela modernidade – mas essa é outra história.

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Calçada do Lorena

pois bem. a Calçada do Lorena é um dos atrativos da trilha dos Monumentos Históricos Caminhos do Mar, que hoje está protegida no Parque Estadual da Serra do Mar.

os 9km de descida de São Bernardo do Campo até Cubatão são uma experiência incrível, cheios de história, beleza e paradoxos. pra mim essa trilha é de nível iniciante, apesar dos 9km. mas oficialmente ela é classificada como uma trilha de nível médio. é ideal para quem quer contato com a natureza, mas não tão de perto assim.

explico: a trilha é Velha Estrada de Santos, completamente pavimentada e, hoje, fechada para carros. somente carros de serviço do Estado passam por ela. então você vai caminhando tranquilamente pelo asfalto, sem nem encostar em uma folhinha sequer.

a paisagem é absolutamente deslumbrante. a Serra do Mar é, de fato, majestosa. a cada curva da estrada se vê um novo nuance da Serra e, à medida que se vai descendo, dependendo das condições do tempo, se vê o mar. é um misto de passeio pela história, pela natureza e pela modernidade.

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são vários imóveis tombados como patrimônio histórico ao longo da trilha. o roteiro começa na Casa de Visitas do Alto da Serra, que foi construída em 1926 para hospedar visitantes e engenheiros da usina Henry Borden. em seguida vem o Pouso Paranapiacaba, um dos lugares que me deixaram embasbacada pela vista panorâmica da Serra. não é a casa da baronesa, mas uma construção feira já no século XX para homenagear a era automobilística. o painel de azulejos com o viário do estado é lindíssimo.

mais adiante chegamos ao Belvedere Circular, outro mirante incrível da Serra, pertinho da famosa Calçada do Lorena. dele a gente tem uma ideia do quanto já se desceu na trilha, quando olhamos pra cima e vemos o Pouso Paranapiacaba. paramos no Rancho da Maioridade, construído em homemagem ao príncipe regente, aquele moleque alçado rei do Brazil ainda pirralho, só pra constar. ali a gente para, faz um lanche, descansa as pernas, vai ao banheiro.

e esse ponto também pode significar o fim da trilha pra quem não tem carro esperando em Cubatão. daqui, parte dos visitantes volta 4,5km para São Bernardo, de volta para seus carros no estacionamento do Centro de Visitantes.

para quem segue descendo, ainda tem o Padrão do Lorena, construído em homenagem ao governador que mandou fazer a calçada. a construção tem painéis de azulejo que retratam cenas do século XVIII, como tropeiros e mulas carregando mercadorias. mais adiante tem o Pontilhão da Raiz da Serra, que marca a finalização da pavimentação em concreto da estrada Caminho do Mar, em 1925, no governo de Carlos de Campos, e, no fim, o Cruzeiro Quinhentista, que lembra a chegada do portugueses no litoral paulista.

é uma baita viagem na história. mas eu disse que era um passeio pela natureza e pela modernidade. pois bem. da metade em diante da trilha, a cada curva a serra mostra um tremendo contraste entre a mata atlântica protegida pelo Parque Estadual da Serra do Mar e o parque industrial de Cubatão, lá embaixo.

a cada curva, a trilha faz a gente pensar que tem que ter um jeito de fazer a modernidade conviver harmoniosamente com a floresta. porque a floresta é linda demais. e a modernidade não é. mas a gente precisa das duas.

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o que: Trilha dos  Monumentos Históricos Caminhos do Mar

onde: São Bernardo do Campo – Cubatão / SP

melhor época: qualquer uma, a trilha rola mesmo com chuva

quanto custa: R$ 26,00 por pessoa no parque; mais o transporte até SBC. no caso do nosso grupo, alugamos uma van saindo de SP, que nos pegou em Cubatão e trouxe de volta. deu mais R$ 50,00/pessoa (éramos 13)

como fazer: somente visitas guiadas, é recomendado agendar:

para informações e agendamento: http://www.parqueestadualserradomar.sp.gov.br/pesm/nucleos/caminhos-do-mar/

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